Para que serve a porta 22
O SSH substituiu o Telnet ao oferecer a mesma coisa, um terminal em outra máquina, com criptografia e autenticação do servidor. Na primeira conexão o cliente guarda a impressão digital da chave do servidor e passa a avisar se ela mudar, o que denuncia tentativas de se passar pelo servidor.
A porta 22 também é a de serviços que dependem do SSH: o SFTP e o SCP para copiar arquivos, os túneis (ssh -) para acessar com segurança um banco de dados ou painel que só escuta localmente e o acesso a repositórios Git por SSH.
Quem usa a porta 22 na prática:
- Administração de servidores Linux, VPS e nuvem
- Acesso ao Raspberry Pi, NAS e roteadores com firmware alternativo
- Transferência de arquivos por SFTP e SCP (substitutos seguros do FTP)
- Túneis para alcançar serviços internos sem expor as portas deles
- Git por SSH em plataformas de código
O que diz o registro da IANA
O registro inclui UDP, mas o SSH funciona sobre TCP. A mesma porta carrega o terminal remoto, a transferência de arquivos por SFTP e SCP e os túneis criados pelo SSH.
| Nome do serviço | Protocolo | Descrição no registro | Referência |
|---|---|---|---|
| ssh | ProtocoloTCP | Descrição no registroThe Secure Shell (SSH) Protocol | ReferênciaRFC 4251 |
| ssh | ProtocoloUDP | Descrição no registroThe Secure Shell (SSH) Protocol | ReferênciaRFC 4251 |
É seguro deixar a porta 22 aberta?
Um IP com a 22 aberta costuma receber tentativas automáticas de login pouco tempo depois de ficar acessível: robôs testam combinações como root/123456 e senhas vazadas o dia inteiro. Com autenticação por chave e senha desativada, essas tentativas simplesmente falham.
O ponto fraco costuma ser a configuração, não o protocolo: usuários com senha fraca, login direto como root e servidores sem atualização de segurança.
Como abrir a porta 22 com segurança
Antes de abrir a 22 no roteador, configure o servidor. No arquivo /etc/, deixe PasswordAuthentication no e PermitRootLogin no, depois de confirmar que o login por chave funciona (copie a sua chave com ssh-). Reinicie o serviço e teste uma nova sessão antes de fechar a atual.
Ferramentas como o fail2ban bloqueiam IPs que erram a senha repetidamente, e o ufw limit 22/ limita a taxa de novas conexões. Se só você acessa, considere não expor a 22 e entrar por uma VPN como o WireGuard.
Passo a passo para a porta 22
- 1
Reserve um IP fixo para o aparelho
Descubra o IP local do aparelho que vai receber as conexões (no Windows, comipconfig; em celulares, consoles e câmeras, nos detalhes da rede) e crie uma reserva de DHCP no roteador. Assim a regra não deixa de funcionar quando o IP mudar. - 2
Entre no painel do roteador
Acesse o endereço do gateway, em geral 192.168.0.1 ou 192.168.1.1 (alguns roteadores de operadoras usam outros, como 192.168.15.1), com a senha da etiqueta ou a que você definiu. Veja como encontrar o endereço em como descobrir o IP do roteador e os guias por marca em IPs de roteador. - 3
Crie a regra para a porta 22
Procure por “Redirecionamento de portas”, “Encaminhamento de portas”, “Servidor virtual”, “NAT” ou “Port forwarding”, conforme o modelo. Informe porta externa 22, porta interna 22, protocolo TCP e o IP reservado no passo 1. O passo a passo detalhado está em como abrir portas no roteador. - 4
Libere a porta no firewall do aparelho
Mesmo com o roteador configurado, o firewall do sistema pode descartar a conexão. Use os comandos abaixo, como administrador. - 5
Teste de fora da rede
Use o verificador de portas, que tenta a conexão de fora até o seu IP público, ou o 4G do celular. Testar de dentro da própria rede pode dar resultado falso.
New-NetFirewallRule -DisplayName "Porta 22 TCP" -Direction Inbound -Protocol TCP -LocalPort 22 -Action Allowsudo ufw allow 22/tcpComo testar a porta 22
Com o serviço sshd rodando, o verificador de portas mostra se a 22 responde de fora. Para testar o login de verdade, use outra rede (o 4G do celular, por exemplo) e rode ssh usuario@seu-.
Antes de culpar o roteador, confirme que algum programa está mesmo escutando na porta 22 no aparelho:
netstat -ano | findstr :22sudo ss -tulpn | grep :22Problemas comuns com a porta 22
“Connection refused”
A conexão chegou ao aparelho, mas nada escuta na 22. Verifique se o serviço está ativo (sudo systemctl status ssh ou sshd, conforme a distribuição) e se ele não foi configurado em outra porta.
“Connection timed out”
Os pacotes não chegaram: regra de redirecionamento errada, firewall bloqueando, CGNAT ou a operadora filtrando. Teste com o verificador e confira o IP de destino da regra.
“Permission denied (publickey)”
O servidor só aceita chave e a sua não está autorizada para aquele usuário. Confira o arquivo ~/. no servidor, as permissões dele e se você está usando a chave certa (ssh -).
A porta continua fechada mesmo com a regra criada
Se nada acima resolveu, as causas abaixo valem para qualquer porta:
- A conexão está atrás de CGNAT. Se o IP da WAN no painel do roteador está na faixa 100.64.0.0/10 (de 100.64.0.0 a 100.127.255.255) ou é diferente do IP que aparece em meu IP, a operadora compartilha o IP público entre vários clientes e nenhuma porta aberta no roteador será alcançada de fora. Confirme no teste de CGNAT e peça um IP público à operadora. Entenda o assunto em o que é CGNAT.
- Firewall do sistema ou antivírus. O Firewall do Windows, o ufw no Linux e alguns antivírus bloqueiam conexões de entrada por padrão. Crie a regra para a porta ou para o programa e teste de novo.
- Dois roteadores em sequência (NAT duplo). Com o modem da operadora e um roteador seu ligados em sequência, a regra precisa existir nos dois, ou o equipamento da operadora deve ficar em modo bridge.
- Teste feito de dentro da própria rede. Muitos roteadores não deixam um aparelho da rede acessar o próprio IP público (NAT loopback), e o teste falha mesmo com tudo certo. Teste de fora, pelo 4G do celular ou pelo verificador de portas.
- Bloqueio da operadora. Algumas portas são filtradas por política em conexões residenciais (no Brasil, a saída pela 25) e outras podem ser bloqueadas conforme o plano. Se todo o resto estiver certo, pergunte ao suporte da operadora; a página de operadoras reúne informações por provedor.