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Guias Práticos

Como testar a velocidade da internet e entender o resultado

Entenda o que significam download, upload, ping, jitter e perda de pacotes no teste de velocidade e como medir do jeito certo antes de reclamar.

Equipe Qual Meu IP11 min de leitura
Feixes de fibra óptica iluminados em vermelho, verde e azul irradiando de um ponto de luz no escuro

Foto: Annatsach, via Wikimedia Commons (CC BY 4.0, recortada)

Para testar a velocidade da internet do jeito certo, use um computador ligado ao roteador por cabo, feche o que estiver usando a rede e rode o teste de velocidade algumas vezes, em horários diferentes. Depois, compare o download e o upload com o plano e olhe também o ping, o jitter e a perda de pacotes: são eles que explicam travamentos em jogos e chamadas, mesmo quando a velocidade parece boa.

Este guia explica o que cada número significa, quanto de velocidade cada uso precisa, por que o resultado fica abaixo do plano e o que fazer, inclusive como reclamar com base em medições válidas.

O que cada número do teste significa

Download

É a taxa com que os dados chegam até você, em megabits por segundo (Mbps). É o número que as operadoras usam para vender o plano: 500 mega significa 500 Mbps de download. Afeta vídeos, downloads, atualizações e o carregamento de páginas.

Upload

É a taxa de envio: o que sai do seu aparelho para a internet. Pesa em videochamadas (é o upload que leva a sua imagem aos outros), lives, envio de arquivos e backup na nuvem. Em planos de fibra o upload costuma ser alto, às vezes igual ao download; em outras tecnologias costuma ser bem menor. O que vale é o que está no seu contrato.

Ping (latência)

É o tempo, em milissegundos (ms), que um pacote leva para ir até o servidor e voltar. Como é ida e volta, o atraso em cada sentido é aproximadamente a metade. O ping depende muito da distância até o servidor: um servidor na sua cidade responde bem mais rápido que um em outro continente. Para chamadas de voz, a recomendação ITU-T G.114 indica até 150 ms de atraso em cada sentido como aceitável para a maioria das aplicações; em jogos competitivos, valores bem menores fazem diferença.

Jitter

É a variação do ping entre uma medição e outra. Um ping que oscila muito é pior que um ping um pouco mais alto e estável: causa áudio picotado, imagem congelando e personagens “teleportando” nos jogos. Wi-Fi congestionado e rede sobrecarregada são as causas mais comuns.

Perda de pacotes

É a porcentagem de pacotes que não chegam ao destino. O ideal é zero. Qualquer perda constante prejudica chamadas e jogos, porque esses aplicativos não têm tempo de reenviar o que se perdeu.

Latência com carga (bufferbloat)

Alguns testes medem o ping duas vezes: com a linha parada e durante o download e o upload. Se o ping dispara quando a linha está ocupada, há bufferbloat: o roteador ou a rede acumula pacotes em filas grandes demais. É o que faz o jogo travar quando alguém da casa começa um download. O nosso teste de velocidade mostra essa diferença, e o teste de ping mede a latência até servidores em várias regiões. Se o problema é ping alto, veja ping alto: como resolver.

Quanto de velocidade você precisa

A conta mais útil é somar o que acontece ao mesmo tempo na casa e deixar uma folga. Os serviços publicam as próprias recomendações:

Recomendações oficiais por uso
Vídeo em HD (720p)Recomendação3 Mbps ou mais por transmissãoFonteNetflix
Vídeo em Full HD (1080p)Recomendação5 Mbps ou mais por transmissãoFonteNetflix
Vídeo em Ultra HD (4K)Recomendação15 Mbps ou mais por transmissãoFonteNetflix
Chamada de vídeo individual em 1080pRecomendação3,8 Mbps de upload e 3,0 Mbps de downloadFonteZoom
Chamada de vídeo em grupo em 720pRecomendação2,6 Mbps de upload e 1,8 Mbps de downloadFonteZoom

Exemplo: duas TVs em 4K (2 × 15 Mbps), uma videochamada em Full HD e alguns celulares nas redes sociais cabem com folga em um plano de 100 Mbps. A velocidade sobra para downloads grandes e atualizações de jogos, que são os usos que de fato aproveitam planos de 500 Mbps ou mais. Para estimar quanto tempo leva um download, use a calculadora Mbps e MB/s.

Como fazer o teste do jeito certo

  1. 1

    Use cabo sempre que possível

    Ligue um computador direto ao roteador com cabo de rede. O próprio Brasil Banda Larga, o medidor da ESAQ, indica o cabo como a conexão ideal para o teste, porque o Wi-Fi adiciona perdas que não têm relação com a operadora. Sem cabo, teste perto do roteador, na rede de 5 GHz.
  2. 2

    Pare tudo o que usa a internet

    Feche downloads, streaming, sincronização de nuvem e atualizações, e pause os outros aparelhos da casa. Qualquer uso simultâneo divide a banda e aumenta o ping.
  3. 3

    Desligue VPN e proxy

    Com VPN, você mede a VPN, não a sua conexão. Desative também extensões de proxy e a Retransmissão Privada do iCloud durante o teste.
  4. 4

    Teste em mais de um servidor

    Comece pelo servidor mais próximo. Depois teste também em um servidor fora da rede da sua operadora: servidores hospedados pela própria operadora podem mostrar um resultado melhor do que o que você tem ao acessar o resto da internet.
  5. 5

    Repita em horários e dias diferentes

    Um teste é uma foto de um instante. Faça medições de manhã, à tarde e à noite, em dias alternados, e olhe a média. O horário de pico, à noite, costuma ser o mais revelador.

Como ler o resultado: três exemplos

Os números fazem mais sentido juntos. Veja três situações comuns num plano de 500 Mbps e o que cada uma indica:

  • 480 Mbps de download, ping de 8 ms, jitter de 1 ms, sem perda: conexão saudável. Se algo trava, procure a causa no aparelho ou no serviço que você está usando, não na linha.
  • 470 Mbps de download, mas o ping sobe de 8 ms para 150 ms durante o teste: a velocidade está ótima, mas há bufferbloat. É o perfil de quem reclama que o jogo trava quando alguém baixa algo. Ativar o controle de fila (QoS ou SQM) no roteador, quando existe, ou trocar um roteador antigo costuma ajudar.
  • 90 Mbps no celular pelo Wi-Fi e 490 Mbps no notebook pelo cabo: a linha entrega o plano; o limite está no Wi-Fi ou no celular. Teste perto do roteador, na rede de 5 GHz, antes de chamar a operadora.

Teste no celular e no 5G

No celular com dados móveis, o resultado depende do sinal naquele ponto, da faixa de frequência em uso, da quantidade de pessoas conectadas à mesma antena e até de o aparelho estar com a capa ou na mão. Por isso é normal ver números muito diferentes em poucos metros. Para comparar, teste sempre no mesmo lugar, com o mesmo aparelho, e lembre que cada teste consome parte da franquia: num 5G rápido, um único teste pode consumir de dezenas a centenas de megabytes. No Wi-Fi de casa, o celular mede sobretudo o próprio Wi-Fi, como no terceiro exemplo acima.

Por que o resultado fica abaixo do plano

Antes de culpar a operadora, descarte os gargalos da sua casa. Eles são a causa mais comum de resultados baixos em planos rápidos:

  • Wi-Fi: a faixa de 2,4 GHz alcança mais longe, mas é mais lenta e congestionada; a de 5 GHz é bem mais rápida perto do roteador. Roteadores e aparelhos com Wi-Fi 6, 6E ou 7 aproveitam melhor planos altos. As diferenças estão em Wi-Fi 2,4 ou 5 GHz, e as dicas de cobertura em como melhorar o sinal do Wi-Fi.
  • Porta de rede de 100 Mbps: computadores, TVs e roteadores antigos com porta Fast Ethernet limitam o cabo a 100 Mbps. Para planos acima disso, aparelho e roteador precisam de portas gigabit.
  • Cabo de rede: cabos Cat5 antigos podem negociar só 100 Mbps; para gigabit, use Cat5e ou Cat6.
  • O próprio aparelho: celulares, notebooks antigos e computadores ocupados com outras tarefas não conseguem medir velocidades muito altas. Navegador desatualizado também atrapalha.
  • Horário de pico: à noite, a rede da operadora e os servidores de destino estão mais carregados.
  • Roteador travado ou superaquecido: reiniciar resolve lentidões passageiras.

Ferramentas de teste: qual usar

Principais testes de velocidade
Teste de velocidade do Qual Meu IPResponsávelMedição na rede da CloudflareDestaquesDownload, upload, ping, jitter e latência com carga, no navegador
Brasil Banda Larga (site) e app ESAQResponsávelESAQ, entidade criada pelo regulamento de qualidade da AnatelDestaquesTestes informativos; os resultados são informados à Anatel para acompanhar a qualidade
Canal oficial de teste de velocidade contratadaResponsávelNIC.br, com regras da AnatelDestaquesCampanha de testes que comprova o descumprimento do contrato de banda larga fixa, quando disponível
SIMETResponsávelNIC.brDestaquesDownload, upload, latência e perda de pacotes, com histórico
SpeedtestResponsávelOoklaDestaquesMuitos servidores para escolher, inclusive de outras operadoras
Fast.comResponsávelNetflixDestaquesMede até os servidores da Netflix; mostra latência sem e com carga

O Brasil Banda Larga foi criado em atendimento ao Regulamento de Qualidade dos Serviços de Telecomunicações (RQUAL, Resolução Anatel nº 717/2019), que substituiu o antigo regulamento de qualidade da banda larga e está em vigor por completo desde março de 2022. Ele é mantido pela Entidade de Suporte à Aferição da Qualidade (ESAQ), hoje operada pela ABR Telecom, funciona no navegador do computador e, no celular, pelo aplicativo ESAQ. Os testes feitos nele são informativos: servem para você acompanhar a conexão e alimentam o monitoramento da qualidade pela Anatel. A Anatel também tem o app Anatel Qualidade, com selos, indicadores e um velocímetro.

Para provar que o seu contrato não está sendo cumprido e pedir o cancelamento sem multa, a regra é outra: o Manual Operacional do RQUAL prevê um canal oficial de testes desenvolvido pelo NIC.br, com uma campanha de medições em dias diferentes. Confira na Anatel se ele já está disponível para você; os detalhes estão no guia velocidade mínima da internet. O SIMET, também do NIC.br, mede a conexão e permite exportar relatórios para levar à operadora. Usar mais de uma ferramenta ajuda: se todas mostram números baixos, o problema provavelmente é da conexão; se só uma mostra, pode ser do servidor daquela ferramenta.

Mbps não é MB/s

Planos são vendidos em megabits por segundo (Mbps), mas navegadores e lojas de jogos mostram o download em megabytes por segundo (MB/s). Como 1 byte tem 8 bits, divida por 8: 400 Mbps equivalem a 50 MB/s. Na prática, o valor real fica alguns por cento abaixo disso, porque parte de cada pacote é ocupada pelos cabeçalhos dos protocolos. Ver algo entre 45 e 48 MB/s num plano de 400 mega é normal. A explicação completa está em Mbps ou MB/s.

CGNAT, IP e velocidade

O seu IP não define a velocidade. O CGNAT, em que vários clientes dividem o mesmo IPv4 público, raramente afeta download ou ping. O que ele atrapalha são as conexões que chegam de fora: redirecionamento de portas, câmeras e DVRs, servidores de jogos e o tipo de NAT nos consoles. Um IP compartilhado também pode cair em listas de bloqueio por culpa de outro cliente, o que gera CAPTCHAs. Para saber se você está atrás de CGNAT, use o teste de CGNAT; para ver qual provedor e ASN atendem sua conexão, a página Meu IP detalhado.

O que fazer se a velocidade estiver abaixo do contratado

  1. Confirme por cabo. Se pelo cabo está normal e no Wi-Fi não, o problema é a rede sem fio, não a linha.
  2. Reinicie roteador e ONU. Desligue da tomada, espere um minuto e religue.
  3. Veja se há falha geral. Sites de status e de relatos de usuários mostram se outras pessoas da sua região estão com o mesmo problema.
  4. Junte evidências. Faça várias medições no Brasil Banda Larga e em outro teste, em dias e horários diferentes, sempre por cabo. Guarde prints com data e hora. Se o canal oficial de testes do NIC.br já estiver disponível, é a campanha feita nele que comprova o descumprimento para cancelar sem multa.
  5. Fale com a operadora. Abra um chamado e anote o número de protocolo. Se não resolver, recorra à ouvidoria da operadora e anote o novo protocolo.
  6. Reclame na Anatel. Pelo Anatel Consumidor (site ou aplicativo), pelo telefone 1331 ou pelo WhatsApp da agência, para quem já tem cadastro, informando o protocolo da ouvidoria. Segundo a Anatel, a operadora tem 10 dias corridos para responder. O consumidor.gov.br, da Secretaria Nacional do Consumidor, e o Procon da sua cidade são caminhos alternativos.

As regras de qualidade que valem hoje e os direitos de quem não recebe o serviço contratado estão no guia velocidade mínima da internet: o que a Anatel exige.

Se as páginas demoram a começar a carregar mesmo com boa velocidade, o DNS pode ser o culpado: o teste de DNS mais rápido compara os servidores a partir da sua conexão, e o guia como mudar o DNS mostra como trocar.

Ferramentas usadas neste guia

Perguntas frequentes

Por que o teste no celular dá menos do que o plano?
Porque o Wi-Fi quase sempre é o gargalo: distância do roteador, paredes, interferência e a própria antena do celular limitam a velocidade. Em planos acima de algumas centenas de mega, muitos celulares não conseguem alcançar o valor contratado pelo Wi-Fi. Para medir a conexão em si, teste num computador ligado ao roteador por cabo.
Qual é um ping bom?
Quanto menor, melhor. Para jogos competitivos, valores baixos e estáveis fazem diferença perceptível; para navegação e vídeo, o ping importa pouco. Mais importante que um número isolado é a estabilidade: jitter baixo, nenhuma perda de pacotes e pouca diferença entre o ping em repouso e o ping durante o download.
Quantos mega preciso para assistir em 4K?
A Netflix recomenda 15 Mbps ou mais por transmissão em Ultra HD (4K), 5 Mbps para Full HD e 3 Mbps para HD. Some as transmissões que costumam acontecer ao mesmo tempo na casa e deixe uma folga para o restante do uso.
Qual teste de velocidade vale para reclamar na Anatel?
Para a reclamação, junte medições feitas por cabo, em dias e horários diferentes, por exemplo no site Brasil Banda Larga ou no app ESAQ, da Entidade de Suporte à Aferição da Qualidade (ESAQ), e guarde o protocolo da operadora. Esses testes são informativos. Para comprovar o descumprimento individual do contrato e cancelar sem multa, o regulamento de qualidade da Anatel (RQUAL) prevê um canal oficial de testes desenvolvido pelo NIC.br, que vale quando estiver disponível. A antiga regra de 80% da velocidade média e 40% da instantânea deixou de valer em 2022.
Por que o download mostra MB/s e o plano é em Mbps?
Porque são unidades diferentes: 1 byte tem 8 bits. Um plano de 400 Mbps rende no máximo cerca de 50 MB/s num download, e um pouco menos na prática por causa dos cabeçalhos dos protocolos. Não é a operadora entregando um quarto do plano.

Fontes e referências

  1. Netflix: velocidades de internet recomendadas
  2. Zoom: requisitos de largura de banda
  3. ESAQ / Brasil Banda Larga: perguntas frequentes sobre o teste
  4. Anatel: Resolução nº 717/2019 (Regulamento de Qualidade dos Serviços de Telecomunicações, RQUAL)
  5. Anatel: página do RQUAL, com a ESAQ e o Manual Operacional
  6. Anatel: ferramentas de medição da banda larga (site Brasil Banda Larga e app ESAQ)
  7. Anatel: aplicativo Anatel Qualidade
  8. Anatel: quebra de fidelidade e canal oficial de testes do NIC.br
  9. Anatel: qualidade da banda larga fixa até fevereiro de 2022 (fim do RGQ-SCM)
  10. NIC.br: SIMET, medição da qualidade da internet
  11. Anatel: como registrar uma reclamação
  12. Anatel: atendimento por WhatsApp
  13. ITU-T G.114: One-way transmission time
  14. Cloudflare: Aggregated Internet Measurement (AIM)

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