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Segurança

Minha senha vazou? Como saber e o que fazer agora

Descubra se sua senha ou e-mail apareceu em vazamentos, como verificar sem expor a senha e o que fazer nos primeiros 30 minutos para proteger suas contas.

Equipe Qual Meu IP10 min de leitura
Fechadura dourada com segredo numérico de três dígitos em uma maleta de couro preta

Foto: Huskyherz, via Wikimedia Commons (CC0 1.0, recortada)

Para saber se a sua senha vazou, confira-a em uma base de vazamentos que não exige enviar a senha, como a verificação de senha vazada do Qual Meu IP, e consulte o seu e-mail no Have I Been Pwned. Se ela aparecer, troque-a já em todos os serviços onde você a usa, começando pelo e-mail principal, ative a verificação em duas etapas e encerre as sessões que você não reconhece.

Uma senha vazada não significa, por si só, que alguém já entrou na sua conta. O risco está no que vem depois: listas com e-mails e senhas circulam entre criminosos e são testadas automaticamente em bancos, lojas e redes sociais. A seguir, você vê como as senhas vazam, como conferir sem se expor, o que fazer nos primeiros 30 minutos e como evitar que o próximo vazamento vire um problema.

Como as senhas vazam

As origens mais comuns de uma senha vazada
Como as senhas vazam e o que cada caso muda para você
Invasão de um serviçoComo aconteceCriminosos copiam o banco de dados de um site ou app. Senhas guardadas sem a proteção adequada, ou fracas demais, acabam reveladas.O que muda para vocêTroque a senha naquele serviço e em qualquer outro onde ela se repete.
Página falsa (phishing)Como aconteceVocê digita a senha em um site que imita o original, quase sempre aberto a partir de um link recebido.O que muda para vocêO golpista pode tentar usar a senha na hora: troque imediatamente.
Programa espião (infostealer)Como aconteceUm malware no computador ou no celular copia as senhas salvas no navegador, os cookies de sessão e o que você digita.O que muda para vocêLimpe o aparelho antes de trocar as senhas, ou as novas também vazam.
Senha repetidaComo aconteceUma senha que vazou de um site pequeno é testada em outros serviços, um ataque chamado credential stuffing.O que muda para vocêUm único vazamento abre várias contas.
Senha fácil de adivinharComo aconteceSenhas curtas ou com nomes, datas, times e sequências são as primeiras testadas em ataques automatizados.O que muda para vocêEla pode ser descoberta mesmo sem nunca ter vazado.

O CERT.br lembra que vazamentos também acontecem por furto de equipamentos, erro humano e descuido no tratamento de dados. Em geral, você só fica sabendo quando a empresa avisa, quando um serviço de monitoramento alerta ou quando algo estranho acontece na conta.

Sinais de que alguém pode ter entrado na sua conta

  • Aviso de login em um aparelho ou local que você não reconhece.
  • Senha, telefone ou e-mail de recuperação alterados sem você pedir.
  • Mensagens, publicações ou compras que você não fez.
  • Contatos recebendo pedidos de dinheiro em seu nome.
  • E-mails que somem da caixa de entrada, o que pode indicar um filtro ou encaminhamento criado pelo invasor.
  • Pedidos de aprovação de login no celular que você não iniciou.

Se notar qualquer um deles, vá direto ao passo a passo dos primeiros 30 minutos, mais abaixo.

Como verificar se sua senha ou e-mail vazou

Existem dois tipos de verificação, e vale fazer os dois: um confere a senha (se aquela sequência exata de caracteres já apareceu em algum vazamento) e o outro confere o e-mail (em quais incidentes conhecidos o seu endereço foi exposto).

Onde verificar
Serviços para verificar se uma senha ou um e-mail apareceu em vazamentos
Verificar senha vazadaO que verificaSe uma senha aparece na base Pwned Passwords e quantas vezesComo usarDigite a senha: só 5 caracteres do hash dela saem do seu navegador
Have I Been PwnedO que verificaEm quais vazamentos conhecidos o seu e-mail aparece e que dados foram expostosComo usarDigite o e-mail em haveibeenpwned.com; a opção Notify Me avisa sobre vazamentos futuros
Check-up de senha do GoogleO que verificaSenhas salvas no Gerenciador de Senhas do Google que vazaram, se repetem ou são fracasComo usarEm passwords.google.com, escolha Acessar o Check-up de senha. No Chrome do computador: menu > Senhas e preenchimento automático > Gerenciador de senhas do Google > Check-up
App Senhas (iPhone)O que verificaSenhas salvas que apareceram em vazamentos, se repetem ou são fáceis de adivinharComo usarAbra o app Senhas e toque em Segurança. Para ligar o monitoramento: Ajustes > Apps > Senhas > Detectar Senhas Comprometidas
Aviso da empresaO que verificaUm incidente em um serviço que você usaComo usarConfirme o aviso entrando pelo site ou app oficial, nunca pelo link do e-mail

Em outubro de 2026, o Have I Been Pwned reunia mais de 17 bilhões de contas expostas, vindas de mais de mil sites e serviços que sofreram vazamentos (o mesmo e-mail pode aparecer em vários deles). Mesmo assim, nenhuma base é completa: vazamentos recentes ou que nunca se tornaram públicos não aparecem. E desconfie de sites desconhecidos que prometem “mostrar seus dados vazados” em troca do CPF ou da senha: o CERT.br alerta que eles podem ser armadilhas para coletar mais dados ou espalhar vírus.

Como dá para verificar sem expor a senha

A verificação de senha usa uma técnica chamada k-anonimato. O navegador calcula o hash SHA-1 da senha, um código de 40 caracteres, e envia só os 5 primeiros ao serviço Pwned Passwords. O serviço devolve todos os hashes da base que começam com esses 5 caracteres, que costumam ser centenas ou milhares, e a comparação final acontece no seu aparelho. Como existem pouco mais de 1 milhão de prefixos possíveis (16 elevado a 5), quem observar a consulta não consegue saber qual é a senha. O funcionamento completo, com um diagrama, está na página da ferramenta de senha vazada.

Como interpretar o resultado

  • A senha apareceu, nem que seja uma vez: troque-a em todos os lugares onde a usa. Isso não prova que a sua conta foi invadida (outra pessoa pode ter usado a mesma senha), mas ela já está nas listas usadas em ataques.
  • A senha não apareceu: não quer dizer que ela seja forte. Uma senha curta ou previsível pode ser adivinhada sem nunca ter vazado.
  • O e-mail apareceu em vazamentos: veja a data e os dados expostos em cada incidente. Se a senha daquele serviço é a mesma de outros, troque em todos.

O que fazer nos primeiros 30 minutos

Se a senha vazou ou você suspeita de invasão, siga esta ordem. Ela começa pelo e-mail porque é por ele que se recuperam quase todas as outras contas.

  1. 1

    Use um aparelho em que você confia

    Se a suspeita é de vírus no computador, faça as trocas pelo celular, ou o contrário. Trocar a senha em um aparelho infectado entrega a senha nova ao invasor.
  2. 2

    Troque a senha do e-mail principal

    Crie uma senha longa e exclusiva, por exemplo com o gerador de senhas. Não basta mudar um caractere (de Senha123 para Senha124): ataques automatizados testam justamente essas variações.
  3. 3

    Encerre sessões e revise os aparelhos

    Na Conta do Google, abra Segurança e login > Seus dispositivos > Gerenciar todos os dispositivos e saia dos que não reconhecer. Outros serviços têm opções parecidas, como Dispositivos conectados no WhatsApp.
  4. 4

    Confira recuperação e encaminhamentos

    Revise o telefone e o e-mail de recuperação. No Gmail do computador, abra Configurações > Ver todas as configurações e confira a guia Encaminhamento e POP/IMAP e os filtros: invasores criam regras para receber cópias das suas mensagens ou esconder alertas de segurança.
  5. 5

    Ative a verificação em duas etapas

    Com ela, a senha sozinha não basta para entrar. Prefira chave de acesso, app autenticador ou notificação no app ao SMS. O passo a passo para WhatsApp, Gmail, Instagram e gov.br está no guia de verificação em duas etapas.
  6. 6

    Troque nos outros serviços com a mesma senha

    Priorize banco, gov.br, redes sociais, lojas com cartão salvo e o próprio gerenciador de senhas. Cada serviço deve ganhar uma senha diferente.
  7. 7

    Fique atento aos golpes que vêm depois

    Após um vazamento, aumentam as mensagens falsas que usam seus dados reais para parecer legítimas. Não toque em links de supostos avisos de segurança: entre direto no app ou no site oficial. Veja como saber se um link é seguro.

Se o vazamento incluiu CPF, cartão ou dados bancários

Senha se troca; CPF, não. Quando o vazamento expõe documentos ou dados financeiros, o objetivo passa a ser impedir que alguém use a sua identidade. Parte destas medidas vem do fascículo sobre vazamentos do CERT.br; as demais são serviços oficiais gratuitos:

  • Cartão: bloqueie ou troque o cartão pelo app do banco e revise as faturas, inclusive as anteriores.
  • Contas e empréstimos em seu nome: o Registrato, do Banco Central, mostra contas, chaves Pix e empréstimos ligados ao seu CPF. O acesso exige conta gov.br nível prata ou ouro com verificação em duas etapas ativa.
  • Bloqueio de novas contas: com o BC Protege+, você informa às instituições financeiras que não quer abrir contas no momento, e elas ficam impedidas de abrir conta em seu nome enquanto a proteção estiver ativa. É gratuito e pode ser desligado quando você precisar.
  • Linhas de celular: o Cadastro Pré-Pago, mantido pelas operadoras, mostra se há linhas pré-pagas ativas no seu CPF na Algar, Claro, Sercomtel, TIM e Vivo.
  • Empresas em seu nome: a Proteção do CPF, no Portal Nacional da Redesim, bloqueia a abertura de empresas com o seu CPF.
  • Boletim de ocorrência: registre se alguém se passar por você, se houver prejuízo ou se tentarem extorquir você com os dados. O BO costuma ser exigido para contestar fraudes.

O que a LGPD exige da empresa que vazou

Pela Lei Geral de Proteção de Dados (art. 48), a empresa precisa comunicar à ANPD e às pessoas afetadas os incidentes de segurança que possam causar risco ou dano relevante. O regulamento da ANPD (Resolução CD/ANPD nº 15/2024) fixa o prazo de três dias úteis, contados de quando a empresa sabe que dados pessoais foram afetados, e o aviso ao titular deve informar quais dados foram atingidos, os riscos e as medidas de segurança adotadas. Se a empresa não responder aos seus pedidos de esclarecimento, você pode recorrer à ANPD pelos canais de atendimento ao titular. Seus direitos estão explicados em LGPD e seus dados.

Gerenciadores de senha e chaves de acesso

Ninguém consegue memorizar dezenas de senhas longas e diferentes, e é aí que a repetição começa. Um gerenciador de senhas cria, guarda e preenche uma senha única para cada site. De quebra, ele só preenche a senha no domínio em que ela foi salva, o que ajuda a perceber páginas falsas.

Algumas opções de gerenciador de senhas
Gerenciadores de senha, onde funcionam e o principal destaque de cada um
Gerenciador de Senhas do GoogleOnde funcionaChrome e Android; em outros navegadores, por passwords.google.comDestaqueGratuito, com Check-up de senha e alertas de vazamento
App Senhas (Apple)Onde funcionaiPhone, iPad e MacDestaqueGratuito, detecta senhas comprometidas e também gera códigos de verificação
BitwardenOnde funcionaPrincipais sistemas e navegadoresDestaqueCódigo aberto, com plano gratuito
1PasswordOnde funcionaPrincipais sistemas e navegadoresDestaquePago, com período de teste
KeePassXCOnde funcionaWindows, macOS e LinuxDestaqueGratuito e de código aberto; o arquivo de senhas fica com você, sem nuvem

Se preferir não usar um aplicativo, o CERT.br considera aceitável anotar as senhas em papel guardado em local seguro ou mantê-las em um arquivo criptografado. O essencial é não repetir a mesma senha em vários lugares.

As chaves de acesso (passkeys) vão além: trocam a senha por uma chave criptográfica guardada no aparelho e liberada com a biometria ou o bloqueio de tela. Elas não podem ser copiadas, anotadas ou digitadas em uma página falsa, porque só funcionam no site para o qual foram criadas. Google, Apple, Microsoft e WhatsApp já aceitam o recurso (no iPhone, a Apple o chama de “chaves-senha”). Quando o serviço oferecer, prefira a chave de acesso à senha.

Erros comuns depois de um vazamento

  • Trocar só a senha do site que vazou e manter a mesma nos outros.
  • Criar uma variação previsível da senha antiga.
  • Trocar as senhas no mesmo computador infectado.
  • Tocar no link de um “aviso de vazamento” recebido por e-mail ou SMS. O próprio Google orienta abrir o Check-up de senha diretamente para confirmar se um alerta é autêntico.
  • Pagar quem promete “apagar seus dados da internet” ou ameaça divulgá-los. Dados que já circulam não desaparecem; em caso de extorsão, registre boletim de ocorrência.
  • Baixar ou comprar bases vazadas “para conferir”: isso incentiva novos vazamentos e os arquivos podem trazer malware.

Se a sua preocupação é com o endereço de conexão, e não com senhas, veja como saber se o seu IP foi vazado.

Ferramentas usadas neste guia

Perguntas frequentes

Como saber se meu e-mail vazou?
Digite o endereço em haveibeenpwned.com. O site lista os vazamentos conhecidos em que o e-mail aparece, a data de cada um e os tipos de dado expostos, como senha, telefone ou endereço. A opção Notify Me envia um aviso se o e-mail aparecer em vazamentos futuros.
Recebi um alerta de senha comprometida do Google. É golpe?
O alerta é um recurso real do Gerenciador de Senhas do Google, mas golpistas imitam esse tipo de aviso. Não toque no link da mensagem: abra passwords.google.com ou o Check-up de senha do Chrome por conta própria e veja se a senha aparece lá. É o que a própria ajuda do Google recomenda para confirmar se a notificação é autêntica.
Minha senha vazou, mas tenho verificação em duas etapas. Preciso trocar?
Sim. A segunda etapa barra a maioria das tentativas de acesso, mas golpistas tentam contorná-la pedindo o código por mensagem ou ligação, e outros serviços onde você repete a senha podem não ter a proteção ativa. Troque a senha e mantenha a verificação ligada.
Preciso trocar minhas senhas de tempos em tempos?
Não, se elas forem longas, exclusivas e não tiverem vazado. A norma de identidade digital do NIST manda trocar quando há indício de comprometimento, e não por calendário, porque trocas obrigatórias costumam levar a variações previsíveis da senha antiga. Deixe os alertas do seu gerenciador de senhas ligados para saber quando agir.
Dá para descobrir em qual site minha senha vazou?
A verificação de senha não diz, porque a base guarda só hashes e contagens. A consulta do e-mail no Have I Been Pwned mostra os serviços envolvidos nos vazamentos conhecidos, o que costuma indicar a origem. Se a senha era usada em um único serviço, a origem provável é ele ou um programa espião no seu aparelho.

Fontes e referências

  1. Have I Been Pwned: verificação de e-mail em vazamentos
  2. Have I Been Pwned: documentação da API Pwned Passwords (k-anonimato)
  3. Ajuda da Conta do Google: Mudar senhas comprometidas (Check-up de senha)
  4. Ajuda da Conta do Google: Proteger uma Conta do Google invadida ou comprometida
  5. Ajuda da Conta do Google: Ver os dispositivos com acesso à conta
  6. Ajuda do Gmail: Encaminhar mensagens automaticamente
  7. Manual do iPhone: Altere senhas fracas ou comprometidas
  8. Microsoft: Proteção contra vírus e ameaças no app Segurança do Windows
  9. Ajuda do Google Play: Como usar o Google Play Protect
  10. CERT.br: Cartilha de Segurança, fascículo Vazamento de Dados
  11. CERT.br: Cartilha de Segurança, fascículo Autenticação
  12. CERT.br: Cartilha de Segurança, fascículo Golpes: Evite Fraudes (2026)
  13. NIST SP 800-63B-4: Digital Identity Guidelines, Authentication and Authenticator Management (2025)
  14. Lei nº 13.709/2018 (LGPD), art. 48
  15. Resolução CD/ANPD nº 15/2024: Regulamento de Comunicação de Incidente de Segurança
  16. ANPD: Canais de atendimento
  17. Banco Central do Brasil: Registrato
  18. Banco Central do Brasil: BC Protege+
  19. Cadastro Pré-Pago: consulta de linhas pré-pagas por CPF
  20. Receita Federal: ferramenta Proteção do CPF (Permissão para participar de CNPJ)

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