
Guias Práticos12 min
Como descobrir seu IP no PC e no celular
Veja como saber seu IP no Windows (ipconfig/CMD), Mac, Linux, Android e iPhone, e a diferença entre o IP do aparelho, o do roteador e o da sua internet.
Veja como testar se sua VPN vaza seu IP por IPv6, WebRTC ou DNS, como interpretar o resultado e como corrigir cada tipo de vazamento em poucos minutos.

Foto: Yuri Samoilov, via Wikimedia Commons (CC BY 2.0, recortada)
Para saber se a sua VPN vaza o seu IP, anote o IPv4 e o IPv6 com a VPN desligada na página Meu IP detalhado, ligue a VPN e faça três testes: o IP público (que deve ser o da VPN nos dois protocolos), o teste de vazamento WebRTC e um teste de vazamento de DNS. Se qualquer um deles mostrar um endereço que você anotou, ou servidores DNS da sua operadora, há vazamento, e cada tipo tem uma correção diferente.
Sem VPN, não existe vazamento: todo site que você visita vê o seu IP, porque é assim que a internet entrega as respostas. E esse IP revela o provedor e uma região aproximada, não o seu nome ou endereço. O guia abaixo mostra como testar, como ler o resultado e como corrigir cada caso.
Fala-se em vazamento quando você usa uma VPN, um proxy ou o Tor para que os sites vejam outro endereço, mas parte do tráfego escapa por fora e revela o IP real da sua conexão, ou quando as consultas DNS continuam indo para a sua operadora. O problema não é um site ver um IP, e sim ver o IP que você queria esconder.
Vale calibrar o risco. Com um IP, alguém descobre o provedor e uma localização aproximada, às vezes errada. Só a operadora sabe qual cliente usava aquele IP em determinado horário: pelo Marco Civil da Internet, ela guarda esses registros por 1 ano (art. 13) e só pode entregá-los por ordem judicial (arts. 10 e 22). O guia o que alguém pode fazer com seu IP separa os riscos reais dos exagerados.
Anote seus endereços reais
Ligue a VPN e confira o IP público
Rode o teste de WebRTC
Faça um teste de vazamento de DNS
Teste a queda da VPN
Hoje é o vazamento mais comum. Segundo as estatísticas do Google, 56,5% dos acessos vindos do Brasil usavam IPv6 em outubro de 2026. Se a VPN só cria o túnel para IPv4 e não bloqueia o IPv6, o navegador acessa por IPv6, direto pela sua operadora, todos os sites que têm IPv6, e eles veem o seu endereço real. A correção é usar uma VPN que leve o IPv6 pelo túnel ou que bloqueie o IPv6 enquanto está conectada. As diferenças entre os protocolos estão em IPv4 vs IPv6.
O WebRTC é a tecnologia que permite chamadas de voz e vídeo direto no navegador. Para conectar uma chamada, ele reúne os possíveis caminhos até o seu aparelho (os candidatos ICE), inclusive o endereço público visto por um servidor externo (STUN). Os navegadores atuais já não revelam o IP local para sites sem permissão de câmera ou microfone: no lugar dele aparece um nome aleatório terminado em .local, técnica descrita pela IETF.
Com uma VPN que cobre todo o aparelho, o pedido ao servidor STUN também passa pelo túnel e revela só o IP da VPN. O vazamento aparece em situações específicas:
No resultado do teste, endereços terminados em .local são normais. O que importa são os IPs públicos: eles devem ser os mesmos que a página Meu IP mostra com a VPN ligada.
Toda vez que você abre um site, o aparelho pergunta a um servidor DNS qual é o IP daquele nome. Com a VPN ligada, essas perguntas devem ir pelo túnel para o DNS da VPN. Há vazamento de DNS quando elas continuam indo para o DNS da operadora: o IP que os sites veem é o da VPN, mas a operadora fica sabendo quais domínios você consulta.
As causas mais comuns são VPNs que não forçam o próprio DNS, DNS IPv6 da operadora que continua configurado, e o Windows, que pode enviar consultas por mais de uma interface de rede ao mesmo tempo. Configurar manualmente 1.1.1.1 ou 8.8.8.8 não resolve: com a VPN ligada, um DNS fora do túnel continua sendo vazamento. A correção é ativar a proteção de DNS da própria VPN, o kill switch e o tratamento de IPv6. Como DNS criptografado funciona e como configurá-lo fora da VPN está no guia como mudar o DNS.
Se a VPN cai por alguns segundos (troca de Wi-Fi para dados móveis, por exemplo) ou demora a conectar quando o aparelho liga, os apps usam a conexão normal nesse intervalo. Por isso o kill switch é essencial. No Android, além do kill switch do app, ative nas configurações de VPN do sistema as opções VPN sempre ativa e Bloquear conexões sem VPN. No iPhone e no computador, procure a opção equivalente no app da VPN; os nomes variam.
Em 2024 foi divulgada a falha conhecida como TunnelVision (CVE-2024-3661): um atacante na mesma rede local pode usar uma opção do DHCP (a 121, de rotas estáticas) para fazer parte do tráfego sair pela interface física, fora da VPN. É um risco de redes que você não controla, como Wi-Fi público. VPNs que bloqueiam por firewall tudo o que não passa pelo túnel reduzem o problema; em locais públicos, usar os dados móveis do celular também é uma alternativa. Mais cuidados estão em riscos do Wi-Fi público.
| Vazamento | Como aparece no teste | Como corrigir |
|---|---|---|
| IPv6 | Como aparece no testeSeu IPv6 real aparece com a VPN ligada | Como corrigirVPN com suporte a IPv6 ou com bloqueio de IPv6 |
| WebRTC | Como aparece no testeO teste de WebRTC mostra seu IP público real | Como corrigirUsar o app da VPN em vez de extensão, tirar o navegador do túnel dividido, ajustar o WebRTC |
| DNS | Como aparece no testeServidores da sua operadora no teste de DNS | Como corrigirProteção de DNS da VPN, kill switch e IPv6 tratado |
| Queda da VPN | Como aparece no testeInternet continua funcionando sem a VPN | Como corrigirKill switch; no Android, VPN sempre ativa e bloquear conexões sem VPN |
Para restringir o WebRTC sem perder as chamadas no navegador:
about:config, defina media.peerconnection.ice.default_address_only e media.peerconnection.ice.no_host como true. Desligar media.peerconnection.enabled também funciona, mas desativa todas as chamadas.WebRtcIPHandling e as extensões das próprias VPNs limitam o WebRTC à interface pública ou ao proxy.Alguns caminhos mostram o seu IP por design, com ou sem falha de VPN. Em torrents, todos os participantes de um compartilhamento veem os IPs uns dos outros. Algumas chamadas e jogos conectam os participantes diretamente, e cada um enxerga o IP do outro. E links desconhecidos, inclusive encurtados, levam a sites que registram o IP de quem clica, como qualquer site. Nada disso permite descobrir quem você é, mas é bom saber, especialmente se você usa VPN justamente para não expor o IP nessas situações.
Muita gente procura “IP vazado” depois de saber que um serviço sofreu um vazamento de dados. Nesses casos, o IP costuma aparecer junto com e-mail, senha e outros dados cadastrais, e é o menos preocupante deles: muda com o tempo e mostra só provedor e região. O que fazer:
Pela LGPD (art. 48), a empresa que sofreu o incidente deve comunicar a ANPD e os titulares quando houver risco ou dano relevante, e a Resolução CD/ANPD nº 15/2024 fixa o prazo de três dias úteis. O passo a passo completo está em minha senha vazou: o que fazer, e os seus direitos em LGPD e seus dados.
Para entender melhor como as VPNs funcionam e onde elas não protegem, leia o que é VPN. Se o objetivo é privacidade de forma mais ampla, veja também navegação anônima e como mudar o IP.
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Equipe Qual Meu IP · Conteúdo editorial
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