
Como Funciona12 min
CGNAT: o que é e como saber se seu IP é compartilhado
Entenda o que é CGNAT, por que as operadoras usam, como saber se seu IP é compartilhado (faixa 100.64.0.0/10) e como sair dele para abrir portas e ver câmeras.
Veja as diferenças entre IPv4 e IPv6, por que o Brasil já usa muito IPv6 e como descobrir se a sua conexão tem IPv4, IPv6 ou os dois ao mesmo tempo.

Foto: Bquast, via Wikimedia Commons (CC0 1.0, recortada)
IPv4 e IPv6 são as duas versões do Protocolo de Internet em uso hoje. A diferença principal está no tamanho do endereço: o IPv4 tem 32 bits, cerca de 4,3 bilhões de combinações, e seu estoque já acabou; o IPv6 tem 128 bits, um espaço praticamente inesgotável que permite dar um endereço público próprio a cada aparelho. No Brasil, 56,5% dos usuários já chegavam ao Google por IPv6 em outubro de 2026, e a maioria das conexões usa os dois protocolos ao mesmo tempo. Para saber qual você usa, faça o teste de IPv6.
A seguir você vê as diferenças em detalhe, por que o IPv4 acabou, o que muda na prática com o IPv6, como está a adoção no Brasil e no mundo e como verificar e ativar o IPv6 na sua conexão. Se ainda tem dúvidas sobre o básico, comece por o que é endereço IP.
| Característica | IPv4 | IPv6 |
|---|---|---|
| Tamanho do endereço | IPv432 bits | IPv6128 bits |
| Formato | IPv4Quatro números decimais separados por pontos | IPv6Oito grupos hexadecimais separados por dois-pontos |
| Exemplo | IPv4192.0.2.10 | IPv62001:db8::10 |
| Total de endereços | IPv42³² ≈ 4,3 bilhões | IPv62¹²⁸ ≈ 3,4 × 10³⁸ |
| Cabeçalho do pacote | IPv420 a 60 bytes, com checksum | IPv640 bytes fixos, sem checksum |
| Configuração automática | IPv4DHCP | IPv6SLAAC e/ou DHCPv6 |
| NAT | IPv4Usado quase sempre (no roteador e no CGNAT) | IPv6Desnecessário: cada aparelho tem endereço global |
| Descoberta na rede local | IPv4ARP e broadcast | IPv6NDP e multicast (não existe broadcast) |
| Fragmentação | IPv4Roteadores do caminho podem fragmentar | IPv6Só a origem fragmenta |
| IPsec | IPv4Suportado, opcional | IPv6Suportado, recomendado mas não obrigatório |
Um endereço IPv4 tem quatro números de 0 a 255, os octetos, separados por pontos, como 192.168.1.1, endereço comum de roteadores domésticos, ou 8.8.8.8, um dos servidores DNS públicos do Google. Com 32 bits, são possíveis exatamente 2³² = 4.294.967.296 combinações. Nem todas servem como IP público: faixas inteiras são reservadas para redes privadas, loopback e multicast, e só os blocos 224.0.0.0/4 (multicast) e 240.0.0.0/4 (reservado) somam mais de 536 milhões de endereços. Para ver um IPv4 em binário ou decimal, use o conversor de IP.
Um endereço IPv6 tem oito grupos de 16 bits, cada um escrito com até quatro dígitos hexadecimais (0 a 9 e a a f), separados por dois-pontos. A forma completa de um endereço de documentação é 2001:0db8:0000:0000:0000:0000:0000:0010. Como isso é longo demais, a RFC 5952 define regras para abreviar:
0db8 vira db8);::, e isso só pode aparecer uma vez no endereço;Com essas regras, o exemplo acima vira 2001:db8::10. O conversor de IP expande e comprime endereços IPv6 nos dois sentidos.
Em redes comuns, os primeiros 64 bits formam o prefixo, que identifica a rede, e os 64 bits finais identificam a interface do aparelho. O provedor delega ao seu roteador um prefixo maior, geralmente /56 ou /64, conforme a operadora. Um /56 rende 256 sub-redes /64, o suficiente para separar rede principal, rede de visitantes e dispositivos de casa inteligente. A calculadora de sub-rede ajuda a visualizar essas divisões.
| Prefixo | Tipo | Para que serve |
|---|---|---|
| 2000::/3 | TipoGlobal (público) | Para que serveEndereços roteados na internet; os seus costumam começar com 2 ou 3 |
| fe80::/10 | TipoLink-local | Para que serveComunicação apenas na rede local; todo aparelho com IPv6 tem um |
| fc00::/7 (na prática, fd00::/8) | TipoLocal único (ULA) | Para que serveRedes internas, papel parecido com o das faixas privadas do IPv4 |
| ::1 | TipoLoopback | Para que serveO próprio aparelho |
| ff00::/8 | TipoMulticast | Para que serveEnvio para grupos, inclusive a descoberta de vizinhos |
| 2001:db8::/32 | TipoDocumentação | Para que serveExemplos em livros e tutoriais |
O esgotamento não é previsão, é fato consumado. A IANA distribuiu seus últimos blocos de IPv4 aos registros regionais no começo de 2011, e o estoque livre foi declarado esgotado em 3 de fevereiro daquele ano. Na América Latina e no Caribe, o LACNIC reservou o último bloco disponível em 19 de agosto de 2020. Desde então, quem precisa de IPv4 na região entra em uma fila de espera por endereços recuperados ou recorre à transferência de blocos entre organizações.
Para continuar atendendo novos clientes, as operadoras adotaram em larga escala o CGNAT, que faz vários clientes compartilharem o mesmo IPv4 público, usando a faixa intermediária 100.64.0.0/10. O NAT praticamente não acrescenta atraso perceptível; os problemas reais são outros:
Confira se sua conexão está nessa situação com o teste de CGNAT. O assunto é aprofundado em CGNAT: o que é e, para jogos, em NAT estrito: como resolver.
Com IPv6 não há falta de endereços, então cada celular, notebook ou TV recebe um endereço global, sem NAT no meio. Isso simplifica jogos online, chamadas de vídeo e acesso remoto. Mas atenção: sem NAT, quem impede conexões vindas de fora é o firewall do roteador, que por padrão bloqueia o que você não iniciou. Mantenha-o ativo e entenda como ele funciona em firewall: o que é.
Uma preocupação comum é o IPv6 identificar o aparelho para sempre. Para evitar isso, os sistemas geram endereços temporários (RFC 8981) para as conexões de saída e os trocam periodicamente. Windows, macOS, iOS e Android usam esse recurso por padrão. O prefixo, porém, continua ligado à sua conexão, assim como o IP público no IPv4.
No IPv6 o aparelho pode montar o próprio endereço a partir do prefixo anunciado pelo roteador, sem servidor DHCP (o chamado SLAAC). Muitas redes combinam isso com DHCPv6 para entregar, por exemplo, os servidores DNS.
Não automaticamente. O IPsec, conjunto de protocolos de criptografia na camada IP, já foi obrigatório em toda implementação de IPv6, mas a RFC 6434, de 2011, rebaixou a exigência para recomendação, e a RFC 8504, de 2019, manteve assim. Ele também existe no IPv4. Na prática, a segurança do seu tráfego vem do HTTPS, de um firewall bem configurado e de sistemas atualizados, em qualquer das duas versões.
Não por natureza. Os navegadores usam um mecanismo chamado Happy Eyeballs (RFC 8305): tentam o IPv6 e, se a conexão não sai rápido (a recomendação é esperar cerca de 250 milissegundos), abrem também uma tentativa por IPv4 e ficam com a que responder primeiro. Por isso a troca é invisível. Em algumas redes, o caminho por IPv6 evita passar pelo equipamento de CGNAT, mas a diferença de velocidade costuma ser pequena. Para medir sua conexão, use o teste de velocidade.
Como não dá para desligar o IPv4 de uma vez, a internet usa mecanismos de transição. Os principais hoje são:
O Google mede a proporção de usuários que acessam seus serviços por IPv6. No mundo, essa proporção passou de 50% pela primeira vez em 28 de março de 2026 (50,1%). Em setembro de 2026, a média ficou em torno de 47,5%, com picos nos fins de semana, o que costuma ser atribuído ao peso maior dos acessos residenciais e móveis nesses dias.
O Brasil aparece com 56,5% nessa medição, acima da média mundial e à frente de vizinhos como Argentina e Chile. O APNIC Labs, que mede de outro jeito (com testes embutidos em anúncios), registrava 59% de usuários brasileiros com IPv6 em 7 de outubro de 2026. Nas medições do APNIC, as maiores redes do país, como as da Claro, da Vivo (Telefônica) e da TIM, aparecem com mais de 70% dos usuários em IPv6. A adoção varia de provedor para provedor, e o NIC.br mantém o portal IPv6.br, com cursos e materiais para quem ainda está migrando.
A China é um caso à parte. Como os serviços do Google são bloqueados lá, o número do Google não representa o país; pelo APNIC, cerca de 50% dos usuários chineses tinham IPv6 em outubro de 2026. O plano de ação do governo chinês, de 2017, previa 200 milhões de usuários ativos de IPv6 até o fim de 2018, mais de 500 milhões (acima de 50% dos internautas) até o fim de 2020 e liderança mundial em escala de rede, usuários e tráfego até o fim de 2025.
O jeito mais rápido é o teste de IPv6, que mostra seus endereços IPv4 e IPv6 públicos, se a conexão é pilha dupla e qual protocolo o navegador prefere. O Meu IP detalhado mostra o protocolo usado na conexão com o site. Como interpretar:
Também dá para conferir pelo terminal:
# Windows (Prompt de Comando ou PowerShell)
ipconfig
ping -6 google.com
# Linux
ip -6 addr show scope global
ping -6 google.com
# macOS
ping6 google.comNo ipconfig, procure “Endereço IPv6” começando com 2 ou 3. Se o ping -6 responde, o IPv6 está funcionando de ponta a ponta.
Na maioria dos casos, quem habilita o IPv6 é o provedor, e o roteador da operadora já vem configurado. Se você usa um roteador próprio, procure nas configurações de internet (WAN) a opção de IPv6 ou de conexão “IPv4 e IPv6”, junto com a delegação de prefixo (DHCPv6-PD), e ative o IPv6 também na rede local (LAN). Os nomes dos menus mudam de fabricante para fabricante. O passo a passo, com os testes para confirmar, está em como ativar o IPv6 no roteador, e as particularidades de cada operadora ficam no guia de provedores.
Em geral, não. A Microsoft afirma que não recomenda desativar o IPv6 no Windows, porque alguns componentes do sistema podem deixar de funcionar, e sugere, quando houver necessidade real, configurar o sistema para preferir IPv4 em vez de desligar o IPv6. Se algo só falha com IPv6 ativo, a causa costuma estar no roteador (firmware desatualizado, configuração incompleta) ou no provedor, e vale corrigir na origem. Desativar o IPv6 também não resolve NAT estrito em consoles, que é um efeito do IPv4 com NAT.
O campo de versão do cabeçalho IP tem 4 bits, e o número 5 foi usado nos anos 1980 e 1990 por um protocolo experimental de transmissão em tempo real, o Internet Stream Protocol (ST e sua versão ST2, descrita na RFC 1819). Para evitar confusão, o sucessor do IPv4 recebeu o número 6. No registro da IANA, a versão 5 consta hoje como reservada e histórica.
Achou útil? Compartilhe:
Publicado por
Equipe Qual Meu IP · Conteúdo editorial
Guias e ferramentas produzidos pela equipe editorial do Qual Meu IP, com foco em redes, segurança e privacidade. Baseamos cada texto em fontes oficiais, indicamos as referências e atualizamos o conteúdo quando algo muda.
Encontrou um erro? Envie uma correção · Veja nossa política editorial.

Como Funciona12 min
Entenda o que é CGNAT, por que as operadoras usam, como saber se seu IP é compartilhado (faixa 100.64.0.0/10) e como sair dele para abrir portas e ver câmeras.

Como Funciona14 min
Entenda o que é IP (Internet Protocol), para que serve, os tipos (público, privado, IPv4 e IPv6), o que ele revela e veja agora qual é o seu endereço IP.

Como Funciona11 min
Entenda a diferença entre IP público e IP privado, as faixas reservadas (192.168, 10, 172.16), o NAT e o CGNAT e como ver cada um no PC e no celular.