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IP público vs IP privado: entenda a diferença

Entenda a diferença entre IP público e IP privado, as faixas reservadas (192.168, 10, 172.16), o NAT e o CGNAT e como ver cada um no PC e no celular.

Equipe Qual Meu IP11 min de leitura
Parte traseira de um roteador Wi-Fi preto com quatro portas LAN e uma porta WAN azul

Foto: Syced, via Wikimedia Commons (CC0 1.0, recortada)

IP público é o endereço que a internet enxerga quando você navega: ele é atribuído pelo provedor à sua conexão e aparece para todos os sites que você visita. IP privado é o endereço que o roteador dá a cada aparelho dentro de casa, como 192.168.0.15, e que só vale na rede local. Os dois existem ao mesmo tempo, e o roteador traduz um no outro com o NAT. É por isso que o IP mostrado nas configurações do computador é diferente do que aparece na página inicial do Qual Meu IP.

Este guia mostra as diferenças, as faixas reservadas, como o NAT e o CGNAT funcionam, quando você precisa de um IP público de verdade e como ver cada endereço no PC e no celular. Se quiser rever o básico antes, leia o que é endereço IP.

A diferença em uma tabela

IP público x IP privado
Onde valeIP públicoNa internet inteiraIP privadoSó na rede local (casa ou escritório)
Quem atribuiIP públicoO provedor de internetIP privadoO roteador, via DHCP
ExemploIP público203.0.113.45IP privado192.168.0.15
É exclusivo?IP públicoEm geral, da sua conexão; sob CGNAT, é dividido com outros clientesIP privadoNão: as mesmas faixas se repetem em milhões de redes
Recebe conexões de fora?IP públicoSó as que o roteador permitir (portas abertas)IP privadoNão, a não ser por redirecionamento de portas ou VPN
O que revelaIP públicoProvedor e localização aproximadaIP privadoNada para quem está fora da sua rede
Como verIP públicoPágina inicial ou ferramenta Meu IPIP privadoipconfig ou detalhes do Wi-Fi no celular

O que é IP público

O IP público identifica a sua conexão na internet. O provedor (Vivo, Claro, TIM ou um provedor regional) o retira dos blocos que recebeu do Registro.br ou do LACNIC e o entrega ao seu roteador. Todo servidor com que você se comunica vê esse endereço, porque é para ele que as respostas precisam voltar. A partir dele, sites conseguem descobrir o provedor e estimar a região de onde você acessa; veja o que aparece para o seu IP na ferramenta Localizar IP.

Na maioria dos planos residenciais, o IP público é dinâmico: pode mudar quando o roteador reconecta ou quando a concessão é renovada, com uma frequência que varia de provedor para provedor. O IP fixo, que nunca muda, costuma aparecer em planos empresariais; as diferenças estão em IP fixo vs IP dinâmico.

Um detalhe importante: no IPv4, todos os aparelhos da casa compartilham o mesmo IP público. No IPv6, que já atende mais da metade dos usuários brasileiros, cada aparelho costuma ter o próprio endereço global. Por isso o IP exibido pode ser diferente no celular e no notebook, mesmo na mesma rede. O teste de IPv6 mostra os dois endereços da sua conexão.

O que é IP privado

O IP privado é o endereço de cada aparelho dentro da rede local. Ele é distribuído automaticamente pelo roteador via DHCP e só tem significado ali dentro: os roteadores da internet descartam pacotes com esses destinos. A RFC 1918 reservou três blocos para esse uso:

Faixas privadas reservadas pela RFC 1918
10.0.0.0/8Intervalo10.0.0.0 a 10.255.255.255Endereços16.777.216Uso comumEmpresas, VPNs e alguns roteadores domésticos
172.16.0.0/12Intervalo172.16.0.0 a 172.31.255.255Endereços1.048.576Uso comumRedes corporativas e virtualização
192.168.0.0/16Intervalo192.168.0.0 a 192.168.255.255Endereços65.536Uso comumRedes domésticas e pequenos escritórios

Você pode encontrar essas faixas descritas como “classe A, B e C”, mas essa divisão em classes caiu em desuso nos anos 1990, com a adoção do CIDR. Hoje se usa a notação com barra (/8, /12, /16), que você pode explorar na calculadora de sub-rede.

Em casa, as redes mais comuns são 192.168.0.x e 192.168.1.x, com o roteador em 192.168.0.1 ou 192.168.1.1. Nos roteadores da Vivo Fibra é comum a rede 192.168.15.x, com o roteador em 192.168.15.1. Dois vizinhos podem ter aparelhos com o mesmo 192.168.0.10 sem conflito nenhum, porque cada rede é isolada.

Há ainda outros endereços que não são públicos: 127.0.0.1 (o próprio aparelho), 169.254.x.x (atribuído quando o aparelho não recebe IP do roteador; veja o que significa o IP 169.254) e 100.64.0.0/10, usado pelo CGNAT. No IPv6, o papel de rede interna fica com os endereços locais únicos (fd00::/8) e os link-local (fe80::/10).

Como os dois se conectam na sua casa

  1. 1. Seus aparelhos

    Cada um com um IP privado

    192.168.0.10
    192.168.0.15
    192.168.0.20

  2. 2. Roteador (NAT)

    Traduz os IPs privados para o endereço da WAN

    LAN: 192.168.0.1
    WAN: IP público ou 100.64.x.x

  3. 3. CGNAT da operadora

    Só em algumas conexões: vários clientes, um IP público

    100.64.0.0/10 para 203.0.113.45

  4. 4. Internet

    Sites e apps veem apenas o IP público

    203.0.113.45

Caminho de um pedido feito em casa. Os endereços são exemplos; 203.0.113.0/24 é uma faixa reservada para documentação.

Como o NAT traduz o IP privado em público

O NAT (Network Address Translation) é a função do roteador que reescreve os endereços dos pacotes na saída e na volta. Nas redes domésticas, ele traduz também as portas, o que permite que vários aparelhos usem o mesmo IP público ao mesmo tempo:

  1. 1

    O notebook faz um pedido

    O notebook 192.168.0.15 abre uma conexão com um site usando a porta de origem 52344. O pacote sai com origem 192.168.0.15:52344.
  2. 2

    O roteador troca endereço e porta

    O roteador substitui a origem pelo IP público e por uma porta livre, por exemplo 203.0.113.45:40001, e anota essa correspondência na tabela NAT.
  3. 3

    O site responde

    O servidor envia a resposta para 203.0.113.45:40001, o único endereço que ele conhece.
  4. 4

    O roteador consulta a tabela

    Pela porta 40001, o roteador sabe que a resposta pertence a 192.168.0.15:52344 e a entrega ao notebook.
  5. 5

    Milhares de conexões ao mesmo tempo

    Como cada conexão ganha a própria porta, um único IP público sustenta milhares de conexões simultâneas de todos os aparelhos da casa.

O NAT foi descrito na RFC 1631, de 1994, como solução temporária para a falta de endereços IPv4, e a versão com tradução de portas está na RFC 3022, de 2001. Foi ele que permitiu à internet crescer por décadas com o IPv4.

CGNAT: quando nem o IP do roteador é público

Muitas operadoras fazem uma segunda tradução dentro da própria rede, o CGNAT (Carrier-Grade NAT). Nesse caso, o roteador da sua casa recebe na WAN um endereço da faixa 100.64.0.0/10, reservada para isso pela RFC 6598, e a operadora traduz esse endereço para um IP público compartilhado por vários clientes. É comum em redes móveis, em muitos provedores de fibra e em internet via satélite.

Como saber se você está atrás de CGNAT

  1. Abra a página de status ou de internet (WAN) do roteador e anote o IP WAN.
  2. Compare com o IPv4 público mostrado na página inicial.
  3. Se forem iguais, o IP público é seu. Se o IP WAN estiver entre 100.64.0.0 e 100.127.255.255, for um IP privado ou simplesmente for diferente, há CGNAT ou NAT duplo.

O teste de CGNAT faz essa comparação para você. Outra pista: no comando tracert 8.8.8.8 do Windows, um dos primeiros saltos com endereço 100.64.x.x a 100.127.x.x costuma indicar CGNAT.

O que muda com CGNAT

  • Abrir portas não funciona: câmeras, DVRs, servidores de jogo e acesso remoto ficam inacessíveis de fora, porque a porta precisaria ser aberta no equipamento da operadora. Veja acesso remoto a câmeras e DVR.
  • Jogos: consoles podem indicar NAT moderado ou estrito; veja como resolver NAT estrito.
  • Reputação compartilhada: se outro cliente com o mesmo IP faz algo suspeito, você pode receber CAPTCHAs ou bloqueios. A ferramenta blacklist de IP mostra se o endereço consta em listas de bloqueio.
  • Navegação e streaming: não mudam em nada.

Como sair do CGNAT ou contornar

  • Pedir um IP público ao provedor, às vezes chamado de “IP válido”. As condições variam de provedor para provedor: alguns liberam a pedido, outros só em planos com IP fixo ou empresariais.
  • Usar IPv6: se a operadora entrega IPv6, cada aparelho tem endereço global e pode receber conexões, desde que você libere a porta no firewall do roteador.
  • Usar túneis ou a nuvem do fabricante: serviços como Cloudflare Tunnel, Tailscale ou o acesso P2P das câmeras funcionam com conexões de saída e dispensam abrir portas.

O assunto completo, com o que dizer ao provedor, está em CGNAT: o que é e como saber se seu IP é compartilhado.

NAT duplo: modem da operadora e roteador próprio

Quando você liga um roteador seu atrás do equipamento da operadora, cada um faz o próprio NAT. O sinal típico é o IP WAN do seu roteador ser um endereço privado, como 192.168.1.2. Para navegar isso funciona, mas os efeitos em portas e jogos são parecidos com os do CGNAT. A solução mais limpa é colocar o equipamento da operadora em modo bridge, deixando só o seu roteador fazer NAT, ou usar apenas um dos dois aparelhos.

Quando você precisa de IP público (e quando de IP fixo)

Para navegar, assistir a streaming, jogar e fazer chamadas de vídeo, um IP dinâmico, e até compartilhado, resolve. A necessidade aparece em casos específicos:

  • Servidor ou câmeras em casa: exigem IP público acessível, sem CGNAT, e uma porta aberta. O IP não precisa ser fixo: um serviço de DNS dinâmico (DDNS), como No-IP, DuckDNS ou o do próprio roteador, atualiza um nome sempre que o IP muda. Depois de configurar, confirme de fora com o verificador de portas e siga o guia como abrir portas no roteador.
  • VPN corporativa: quem costuma precisar de IP fixo é o servidor ou gateway de VPN da empresa. O funcionário, em geral, conecta com a internet comum de casa.
  • Servidor de e-mail: exige IP comercial fixo com DNS reverso (PTR) configurado, além de SPF, DKIM e DMARC. Faixas residenciais costumam constar na Policy Blocklist da Spamhaus, uma lista de endereços de usuários finais que não deveriam enviar e-mail diretamente. Veja IP reverso, SPF, DKIM e DMARC e a ferramenta verificar SPF e DMARC.

Como descobrir seu IP público e privado

IP público

Abra a página inicial: o IP aparece na hora. O Meu IP detalhado mostra também provedor, ASN, IP reverso e se a conexão tem IPv4 e IPv6. Pelo terminal, dá para consultar um serviço externo que devolve só o IP:

Ver o IP público pelo terminal
# Windows 10 e 11 (Prompt de Comando ou PowerShell)
curl.exe -s https://api.ipify.org

# macOS e Linux
curl -s https://api.ipify.org

O curl já vem instalado no Windows 10 (desde a versão 1803) e no Windows 11. No PowerShell, digite curl.exe, porque curl sozinho pode ser um atalho para outro comando. O endereço api.ipify.org responde só por IPv4; para ver o IPv6, troque por api64.ipify.org.

IP privado

  1. 1

    Windows 11

    Abra o Prompt de Comando e rode ipconfig: o IP privado aparece em “Endereço IPv4” da conexão ativa. Pelo menu: Configurações > Rede e Internet > Wi-Fi > Propriedades de hardware (no cabo, toque em Ethernet).
  2. 2

    macOS

    Ajustes do Sistema > Rede > Wi-Fi (ou Ethernet) > Detalhes > TCP/IP. No Terminal, ipconfig getifaddr en0 costuma mostrar o IP do Wi-Fi.
  3. 3

    Linux

    No terminal, rode ip -br addr. As interfaces têm nomes como wlp2s0 (Wi-Fi) ou enp3s0 (cabo); o comando hostname -I lista só os endereços.
  4. 4

    Android

    Configurações > Rede e Internet > Internet > toque na rede conectada. O caminho muda conforme a marca: em celulares Samsung, vá em Configurações > Conexões > Wi-Fi e toque na engrenagem da rede.
  5. 5

    iPhone e iPad

    Ajustes > Wi-Fi > toque no ícone (i) ao lado da rede. O endereço aparece em “Endereço IP”.

IP do roteador

O endereço do roteador é o gateway da rede: no Windows, aparece como “Gateway Padrão” no ipconfig; no Mac, como “Roteador” na aba TCP/IP. Mais métodos em como descobrir o IP do roteador e, para todos os sistemas, em como descobrir o IP do computador ou celular.

É seguro mostrar meu IP?

O IP privado não representa risco para quem está fora da sua rede: ele é igual ao de milhões de outras casas. O IP público é visto por todos os sites que você acessa, então não é segredo; ele revela o provedor e uma região aproximada, não o seu endereço. Os riscos reais estão em serviços expostos (portas abertas sem necessidade, roteador com senha padrão ou firmware antigo). Confira as portas abertas no seu IP com o verificador de portas e veja o que é mito e o que é verdade em o que alguém pode fazer com seu IP e como proteger seu IP.

Ferramentas usadas neste guia

Perguntas frequentes

Por que o IP do meu computador é diferente do que aparece no site?
Porque são dois endereços diferentes. O computador mostra o IP privado, que o roteador entregou dentro da sua rede (como 192.168.0.15). O site mostra o IP público, que é o endereço da sua conexão na internet. O roteador traduz um no outro com o NAT, e todos os aparelhos da casa costumam sair com o mesmo IP público no IPv4.
192.168.0.1 é IP público ou privado?
Privado. Todo endereço que começa com 192.168 pertence a uma das faixas reservadas para redes locais pela RFC 1918, assim como os que começam com 10 e os de 172.16 a 172.31. O 192.168.0.1 costuma ser o endereço do próprio roteador.
Como saber se estou atrás de CGNAT?
Compare o IP WAN que aparece na página de status do roteador com o IP público mostrado na página inicial do Qual Meu IP. Se forem iguais, o IP público é seu. Se o IP WAN estiver entre 100.64.0.0 e 100.127.255.255, for um IP privado ou simplesmente for diferente, há CGNAT ou NAT duplo. O teste de CGNAT faz essa comparação para você.
IP privado pode ser rastreado pela internet?
Não. Os sites nunca recebem seu IP privado, só o público. Um IP privado como 192.168.0.15 existe em milhões de redes ao mesmo tempo e só tem significado dentro da sua casa ou empresa.
Preciso de IP fixo para jogar online ou ver câmeras de fora de casa?
Para jogar, não: um IP dinâmico funciona normalmente. Para acessar câmeras ou um servidor em casa, você precisa de um IP público acessível, sem CGNAT, mas ele não precisa ser fixo: um serviço de DNS dinâmico atualiza o endereço quando o IP muda. Outra opção é usar o acesso em nuvem do fabricante da câmera ou um serviço de túnel.

Fontes e referências

  1. RFC 1918: Address Allocation for Private Internets (IETF)
  2. RFC 6598: IANA-Reserved IPv4 Prefix for Shared Address Space (IETF)
  3. RFC 1631: The IP Network Address Translator (NAT), 1994
  4. RFC 3022: Traditional IP Network Address Translator (Traditional NAT)
  5. RFC 4193: Unique Local IPv6 Unicast Addresses
  6. IANA: IPv4 Special-Purpose Address Registry
  7. Spamhaus: Policy Blocklist (PBL)
  8. Microsoft: Tar and Curl Come to Windows
  9. Apple: Alterar os ajustes de TCP/IP no Mac
  10. Google: Configurações de rede no Android

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