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CGNAT: o que é e como saber se seu IP é compartilhado
Entenda o que é CGNAT, por que as operadoras usam, como saber se seu IP é compartilhado (faixa 100.64.0.0/10) e como sair dele para abrir portas e ver câmeras.
Entenda o que é IP (Internet Protocol), para que serve, os tipos (público, privado, IPv4 e IPv6), o que ele revela e veja agora qual é o seu endereço IP.

Foto: Raysonho @ Open Grid Scheduler / Grid Engine, via Wikimedia Commons (CC0 1.0, recortada)
Endereço IP (de Internet Protocol, ou Protocolo de Internet) é o número que identifica um aparelho ou uma conexão dentro de uma rede, para que os dados saibam de onde saíram e para onde devem voltar. Ele cumpre na internet o papel que o endereço cumpre nos Correios: sem ele, nenhuma página, mensagem ou vídeo chegaria ao destino. Na prática você usa dois ao mesmo tempo: um IP privado, que o roteador dá ao seu aparelho dentro de casa, e um IP público, que é o endereço que os sites enxergam. Para ver o seu agora, abra a página inicial do Qual Meu IP.
Neste guia você entende como um endereço IP é formado, como ele leva os dados até você, quem distribui esses números, quais endereços especiais vale reconhecer e o que um IP revela (ou não) sobre você.
O endereço IP é o identificador usado pelo Protocolo de Internet, o conjunto de regras que define como os dados são divididos em pacotes e encaminhados entre redes. Cada pacote carrega dois endereços: o de origem (quem enviou) e o de destino (quem deve receber). Os roteadores do caminho leem o destino e decidem para onde mandar o pacote em seguida, salto a salto, até ele chegar.
A lei brasileira usa uma definição parecida. O Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014) descreve o endereço IP como “o código atribuído a um terminal de uma rede para permitir sua identificação, definido segundo parâmetros internacionais”. Repare na palavra rede: um IP identifica um aparelho dentro de uma rede específica. Por isso o mesmo número, como 192.168.0.10, existe em milhões de casas ao mesmo tempo sem conflito, enquanto o IP público da sua conexão costuma ser exclusivo naquele momento.
4,3 bilhões
de combinações possíveis no IPv4, que usa endereços de 32 bits (2³²)
Fonte: RFC 791 (IETF)
50,1%
dos usuários acessaram o Google via IPv6 em 28/03/2026, a primeira vez acima da metade
Fonte: Google, estatísticas de IPv6
6 bilhões
de pessoas usavam a internet em 2025, cerca de 74% da população mundial
Fonte: UIT, Facts and Figures 2025
Existem duas versões em uso. O IPv4, padronizado em 1981, usa 32 bits escritos como quatro números de 0 a 255 separados por pontos, como 192.168.0.10. Cada número é um octeto (8 bits). Para o computador, esse endereço é apenas uma sequência de zeros e uns: 11000000.10101000.00000000.00001010. Você pode fazer essa conversão no conversor de IP.
O IPv6 usa 128 bits, escritos em oito grupos hexadecimais separados por dois-pontos, como 2001:db8:85a3::8a2e:370:7334. O espaço é tão grande (cerca de 3,4 × 10³⁸ endereços) que cada aparelho pode ter um endereço público próprio. As diferenças entre as versões, a adoção no Brasil e como saber qual delas você usa estão no guia IPv4 vs IPv6.
Todo endereço IP tem duas partes: uma identifica a rede e a outra identifica o aparelho dentro dela. Quem define onde fica a divisão é a máscara de sub-rede, escrita como 255.255.255.0 ou, na notação CIDR, como /24. Em 192.168.0.10/24, os três primeiros números (192.168.0) indicam a rede da sua casa e o último (10) indica o aparelho. Uma rede /24 tem 254 endereços utilizáveis, um deles normalmente ocupado pelo roteador. Para fazer essas contas, use a calculadora de sub-rede ou consulte a tabela da máscara /24.
Quando você abre um site, acontece mais ou menos isto:
O nome do site vira um número
Seu aparelho monta os pacotes
O roteador traduz o endereço
Os pacotes atravessam várias redes
A resposta volta para o seu IP público
Você pode medir quanto tempo essa ida e volta leva com o teste de ping. Para entender o papel das portas, veja o guia de portas TCP e UDP.
O IP privado é atribuído pelo roteador a cada aparelho da sua rede e só funciona ali dentro. Ele sai de faixas reservadas para esse uso pela RFC 1918: 10.0.0.0/8, 172.16.0.0/12 e 192.168.0.0/16. O IP público é entregue pelo provedor de internet, como Vivo, Claro, TIM ou um provedor regional, e é o endereço que sites e aplicativos enxergam. Todos os aparelhos da casa costumam sair para a internet com o mesmo IP público, graças ao NAT do roteador.
A comparação completa, com tabela e passo a passo para ver cada um no PC e no celular, está em IP público vs IP privado.
Com a falta de endereços IPv4, muitas operadoras passaram a usar o CGNAT (Carrier-Grade NAT), uma tradução feita dentro da rede do provedor. Nesse caso, o roteador da sua casa recebe um endereço intermediário, geralmente da faixa 100.64.0.0/10 (reservada para isso pela RFC 6598), e vários clientes compartilham o mesmo IP público ao mesmo tempo, separados por portas. É comum em redes móveis e em muitos provedores de fibra. Para navegar, isso não muda nada, mas impede abrir portas para câmeras, servidores de jogos e acesso remoto. Faça o teste de CGNAT e veja as alternativas no guia CGNAT: o que é e como saber se seu IP é compartilhado.
Os números não são escolhidos ao acaso. A distribuição segue uma hierarquia:
O estoque livre de IPv4 da IANA acabou em 3 de fevereiro de 2011, e o LACNIC reservou seu último bloco disponível em 19 de agosto de 2020. Desde então, novos pedidos na região dependem de endereços recuperados e de uma fila de espera, o que ajuda a explicar a expansão do CGNAT e do IPv6. Para ver a qual organização um IP ou bloco pertence, use a consulta Whois.
Dentro de casa, quem distribui os IPs privados é o roteador, por meio do DHCP (Dynamic Host Configuration Protocol). Ao entrar no Wi-Fi, o celular pede um endereço e o roteador empresta um da faixa da rede local por um período, a chamada concessão. As faixas mais comuns em roteadores no Brasil são 192.168.0.x e 192.168.1.x; nos roteadores da Vivo Fibra é comum 192.168.15.x. O próprio roteador costuma ficar no endereço terminado em .1, que aparece como Gateway Padrão no comando ipconfig do Windows. Veja como encontrá-lo em como descobrir o IP do roteador e os endereços mais usados no guia de acesso ao roteador.
Já o IP público é atribuído pelo provedor quando o roteador se conecta à rede dele, normalmente por PPPoE (com usuário e senha da operadora) ou por DHCP. Na maioria dos planos residenciais esse IP é dinâmico: pode mudar quando o roteador reconecta ou quando a concessão é renovada, conforme a política de cada provedor. O IP fixo, que não muda, costuma ser oferecido em planos empresariais. Diferenças e casos em que vale a pena contratar estão em IP fixo vs IP dinâmico.
No IPv6, o provedor entrega ao roteador um prefixo inteiro, e cada aparelho monta o próprio endereço a partir dele, sozinho (SLAAC) ou com ajuda de um servidor DHCPv6. E, quando um computador não consegue falar com nenhum servidor DHCP, ele mesmo se atribui um endereço da faixa 169.254.x.x, sinal de que algo falhou na rede local. Veja o que fazer nesse caso em IP 169.254: o que significa.
Algumas faixas têm funções reservadas e aparecem com frequência em configurações de rede e mensagens de erro. Nenhuma delas funciona como IP público de uma conexão:
| Endereço ou faixa | Para que serve | Onde você encontra |
|---|---|---|
| 127.0.0.1 (e ::1 no IPv6) | Para que serveLoopback: o próprio aparelho | Onde você encontraTestes de programas e servidores locais |
| 10.0.0.0/8, 172.16.0.0/12, 192.168.0.0/16 | Para que serveRedes privadas (RFC 1918) | Onde você encontraCasas, empresas e redes Wi-Fi |
| 100.64.0.0/10 | Para que serveEspaço compartilhado do CGNAT (RFC 6598) | Onde você encontraIP WAN do roteador em conexões com CGNAT |
| 169.254.0.0/16 (e fe80::/10) | Para que serveEndereço local automático (link-local) | Onde você encontraNo IPv4, aparelho que não recebeu IP do roteador; no IPv6, todo aparelho tem um |
| 0.0.0.0 | Para que serveEndereço não especificado | Onde você encontraProgramas que escutam em todas as interfaces |
| 255.255.255.255 | Para que serveBroadcast na rede local | Onde você encontraPedidos de DHCP e descoberta de aparelhos |
| 224.0.0.0/4 (e ff00::/8) | Para que serveMulticast: envio para um grupo | Onde você encontraIPTV e descoberta de dispositivos |
| 192.0.2.0/24, 198.51.100.0/24, 203.0.113.0/24 (e 2001:db8::/32) | Para que serveReservados para documentação | Onde você encontraExemplos de tutoriais, inclusive deste site |
A lista completa está no registro de endereços de uso especial da IANA. Se o seu computador mostra um endereço 169.254.x.x, ou se o roteador mostra um IP WAN entre 100.64.0.0 e 100.127.255.255, você já sabe o que está acontecendo.
Três identificadores costumam ser confundidos:
00:00:5E:00:53:01. Ele não passa do roteador e não é visto pelos sites. Celulares atuais usam por padrão um MAC aleatório para cada rede, por privacidade. Saiba mais em endereço MAC: o que é e como ver.O IP público aparece assim que você abre a página inicial. Para ver também o provedor, o ASN, o IP reverso e se a conexão tem IPv4 e IPv6, use o Meu IP detalhado.
O IP privado fica nas configurações de rede do aparelho:
ipconfig e procure “Endereço IPv4” na conexão ativa (Wi-Fi ou Ethernet).O passo a passo completo, incluindo Linux e comandos de terminal, está em como descobrir o IP do computador ou celular.
Todo site que você acessa vê o seu IP público. A partir dele, bases de geolocalização estimam:
O IP não revela seu nome, CPF, telefone ou endereço. Quem sabe qual cliente usava um IP em determinado momento é o provedor de conexão, e o Marco Civil da Internet controla o acesso a essa informação: o provedor deve guardar os registros de conexão por 1 ano (art. 13) e só é obrigado a entregá-los mediante ordem judicial, que pode ser dada em processo cível ou penal (arts. 10 e 22). Dados cadastrais (qualificação, filiação e endereço) podem ser requisitados sem ordem judicial apenas por autoridades com competência legal (art. 10, §3º), como delegados de polícia e o Ministério Público em investigações (Lei 12.850/2013, art. 15). Sob CGNAT, a identificação depende também da porta de origem e do horário exato, porque o mesmo IP atende vários clientes ao mesmo tempo.
Para a LGPD (Lei 13.709/2018), dado pessoal é a “informação relacionada a pessoa natural identificada ou identificável”, e um IP entra nessa definição quando pode ser associado a alguém. Veja seus direitos em LGPD e seus dados e os riscos reais em o que alguém pode fazer com seu IP. Para ver o que as bases dizem sobre qualquer endereço, use a ferramenta Localizar IP; a explicação completa está em geolocalização por IP.
Dá, de formas diferentes. Desligar o roteador por alguns minutos pode trazer um novo IP dinâmico, mas não há garantia, porque depende do provedor. Uma VPN faz os sites enxergarem o IP do servidor da VPN em vez do seu, e o navegador Tor passa a conexão por vários servidores voluntários. Nenhuma dessas opções deixa você invisível: o provedor da VPN passa a ver o tráfego que antes passava pelo seu provedor, e cookies e o fingerprinting do navegador continuam funcionando. Compare os métodos em como mudar seu IP e em como proteger seu IP.
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