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Como mudar o IP: 5 formas no PC, celular e roteador

Aprenda a mudar o IP no PC e no celular: reiniciar o roteador, usar VPN, proxy ou Tor, ou pedir ao provedor, com prós, contras e como confirmar a troca.

Equipe Qual Meu IP11 min de leitura
Close nas portas Ethernet LAN e na porta WAN amarela na parte traseira de um roteador

Foto: Guido Sorarù, via Wikimedia Commons (CC BY 4.0, recortada)

Para mudar o IP público, o caminho mais simples é reiniciar o roteador ou, no celular com dados móveis, ligar e desligar o modo avião: a conexão é refeita e a operadora costuma entregar outro endereço. Se você quer aparecer com um IP de outra cidade ou país, use uma VPN. Antes de qualquer coisa, anote o IP atual na página Meu IP detalhado, para comparar depois.

Vale saber desde já os limites: reiniciar nem sempre troca o endereço (por causa de IP fixo, CGNAT ou do prefixo IPv6), e nenhum método apaga os registros que a operadora é obrigada por lei a guardar. A seguir estão as cinco formas que funcionam, quando usar cada uma e como confirmar que a troca deu certo.

Antes de começar: qual IP você quer mudar?

Quase sempre, quem quer mudar o IP está falando do IP público, o endereço que sites e serviços enxergam e que é compartilhado por todos os aparelhos da casa no IPv4. Ele é definido pela operadora. Já o IP local (como 192.168.0.105) é distribuído pelo roteador e só vale dentro da sua rede; ele tem uma seção própria mais abaixo. Se a diferença ainda não está clara, o guia IP público vs IP privado explica.

Confira também se a sua conexão tem IPv6. Mais da metade dos acessos brasileiros aos serviços do Google já usa IPv6 (56,5% em outubro de 2026, segundo as estatísticas da empresa), e muitos sites vão ver o seu IPv6, não o IPv4. O teste de IPv6 mostra os dois endereços.

Forma 1: reiniciar o roteador ou refazer a conexão

Planos residenciais usam, em geral, IP dinâmico: o endereço é emprestado à sua conexão e pode mudar quando ela é refeita. Em muitas redes de fibra, a autenticação é feita por PPPoE, e cada nova sessão PPPoE pode receber outro IP. Em outras redes, o IP vem por DHCP e pode ser mantido enquanto o roteador renovar a concessão.

No roteador

  1. 1

    Anote o IP atual

    Abra a página Meu IP e anote o IPv4 e, se houver, o IPv6.
  2. 2

    Desligue o roteador (e a ONU ou o modem, se forem aparelhos separados)

    Tire da tomada e espere alguns minutos. Um tempo maior desligado aumenta a chance de a sessão anterior expirar do lado da operadora, mas não há garantia.
  3. 3

    Ligue de novo e espere a internet voltar

    Aguarde as luzes de conexão estabilizarem antes de testar.
  4. 4

    Compare o IP

    Atualize a página Meu IP. Se o número for outro, a troca funcionou.

Uma alternativa mais limpa é entrar no painel do roteador e usar a opção de desconectar e reconectar a internet (às vezes chamada de reconectar WAN ou PPPoE). O efeito é o mesmo, sem derrubar o Wi-Fi da casa inteira. Se não sabe como entrar no painel, veja a central de roteadores.

No celular (dados móveis)

Ative o modo avião por alguns segundos e desative. O aparelho se desconecta e se reconecta à rede da operadora, e normalmente recebe outro endereço. Desligar e religar os dados móveis tem efeito parecido. No Wi-Fi, isso não adianta: o IP público é o do roteador.

Por que às vezes o IP não muda

  • A operadora manteve o endereço: algumas devolvem o mesmo IP à mesma conexão por dias. Isso varia por provedor, tecnologia e região.
  • Você tem IP fixo: nesse caso só a operadora consegue trocar.
  • CGNAT: se a conexão está atrás de CGNAT, o IPv4 público é compartilhado com outros clientes. A troca, quando acontece, é para outro IP também compartilhado. O teste de CGNAT confirma em segundos, e o guia CGNAT: o que é explica o que isso muda.
  • IPv6: o prefixo IPv6 que a operadora entrega ao roteador pode continuar o mesmo depois de reiniciar. Os aparelhos ainda trocam a parte final do endereço sozinhos, com os endereços temporários.

Um detalhe importante: o novo IP continua sendo da mesma operadora e da mesma região. Para os sites, você segue no mesmo provedor e na mesma cidade aproximada.

Forma 2: usar uma VPN

Com uma VPN, o seu tráfego segue criptografado até um servidor do provedor da VPN, e os sites passam a ver o IP desse servidor. É a forma mais flexível: a troca é imediata, dá para escolher o país e o túnel protege os dados em redes Wi-Fi públicas. Em troca, você passa a confiar no provedor da VPN, que enxerga o que antes a operadora via.

Como trocar o IP com uma VPN

  1. 1

    Escolha um serviço com política clara

    Prefira provedores que publicam política de privacidade detalhada e auditorias independentes. Serviços gratuitos precisam se pagar de algum jeito: alguns limitam velocidade, exibem anúncios ou coletam dados.
  2. 2

    Instale o app oficial

    Baixe pelo site do provedor ou pela loja oficial do sistema. Os grandes serviços têm apps para Windows, macOS, Linux, Android e iOS.
  3. 3

    Ative as proteções antes de conectar

    Ligue o kill switch (bloqueia a internet se a VPN cair), a proteção de DNS e, se houver, o suporte ou o bloqueio de IPv6. Sem isso, o IPv6 real pode passar por fora do túnel.
  4. 4

    Conecte e confirme

    Abra a página Meu IP e confira se o IPv4 e o IPv6 mudaram. Depois rode o teste de vazamento WebRTC.

No Android, você ainda pode ativar VPN sempre ativa e Bloquear conexões sem VPN nas configurações de VPN do sistema, para que nada saia sem o túnel. Os testes que mostram se a VPN está vazando o IP real estão no guia vazamento de IP, DNS e WebRTC.

Forma 3: proxy ou retransmissão do navegador

Um proxy é um intermediário que faz as requisições em seu nome, então o site vê o IP do proxy. A diferença para a VPN é o alcance: o proxy vale só para os programas configurados para usá-lo e, na maioria dos casos, não criptografa nada.

  • Proxy HTTP/HTTPS: feito para navegação. Configurado no sistema (no Windows, em Configurações → Rede e Internet → Proxy), vale para os aplicativos que respeitam essa configuração, e não para todos.
  • SOCKS5: mais versátil, aceita outros tipos de tráfego. O suporte a UDP, importante para jogos e chamadas, depende do aplicativo e do servidor.
  • Proxies transparentes: não escondem nada. Muitos repassam o seu IP real em cabeçalhos como X-Forwarded-For.

Alguns navegadores trazem uma opção pronta. No Safari, quem assina o iCloud+ pode ativar a Retransmissão Privada do iCloud: o tráfego passa por dois retransmissores, e os sites recebem um IP temporário que, por padrão, corresponde à sua região aproximada. O recurso vale apenas para o Safari e não está disponível em todos os países. Outros navegadores oferecem uma VPN embutida que, na prática, funciona como proxy só para as abas daquele navegador.

Forma 4: Tor Browser

O Tor Browser, do Tor Project, envia cada conexão por três servidores voluntários em sequência, com camadas de criptografia, de forma que nenhum deles sabe ao mesmo tempo quem você é e o que você acessa. O site enxerga apenas o IP do último servidor, o nó de saída.

O Tor organiza os circuitos por site: todas as conexões a um mesmo endereço usam o mesmo circuito, e sites diferentes usam circuitos diferentes. Para trocar o IP visto por um site, use Novo circuito do Tor para este site, que recarrega a aba por outro caminho. Para começar do zero, Nova identidade fecha as abas, apaga cookies e histórico e cria circuitos novos para tudo.

As desvantagens são claras: navegação bem mais lenta, CAPTCHAs frequentes, sites que bloqueiam a rede Tor e proteção restrita ao tráfego do próprio Tor Browser. Os outros apps do computador continuam usando o seu IP normal.

Forma 5: pedir ao provedor

A operadora controla o seu IP público, então ela pode resolver casos que os outros métodos não resolvem:

  • Novo IP dinâmico: o suporte técnico costuma conseguir derrubar a sessão e forçar outro endereço remotamente, em poucos minutos.
  • Sair do CGNAT: peça um IP público válido. Algumas operadoras liberam sem custo, outras só em planos empresariais ou mediante taxa.
  • IP fixo: normalmente é vendido em planos empresariais e a mudança pode levar dias, porque envolve troca de plano. As diferenças estão em IP fixo ou dinâmico.
  • IP em lista de bloqueio: se o seu IP aparece numa blacklist por abuso de outro cliente que usou o endereço antes (ou que divide o mesmo IP no CGNAT), confirme no verificador de blacklist e peça a troca.

As 5 formas comparadas

Qual método escolher
Reiniciar roteador ou modo aviãoTempo para trocarAlguns minutosCustoGrátisMuda país e provedor?NãoCriptografa?Não
VPNTempo para trocarImediatoCustoGrátis ou assinaturaMuda país e provedor?SimCriptografa?Sim, todo o tráfego do aparelho
Proxy ou retransmissão do navegadorTempo para trocarImediatoCustoGrátis ou assinaturaMuda país e provedor?Depende do serviçoCriptografa?Em geral não (a retransmissão do iCloud, sim)
Tor BrowserTempo para trocarSegundos (ao conectar)CustoGrátisMuda país e provedor?SimCriptografa?Sim, dentro da rede Tor
Pedir à operadoraTempo para trocarMinutos (IP dinâmico) a dias (IP fixo)CustoGrátis a pagoMuda país e provedor?NãoCriptografa?Não

Como mudar o IP local (dentro da rede)

Às vezes o que precisa mudar é o IP local, por exemplo quando dois aparelhos entram em conflito ou quando você quer que uma câmera ou impressora tenha sempre o mesmo endereço. No Windows, o próprio sistema pede um novo endereço ao roteador:

Renovar o IP local no Windows (Prompt de Comando)
ipconfig /release
ipconfig /renew

No Mac, a opção de renovar a concessão DHCP fica em Ajustes do Sistema → Rede → sua conexão → Detalhes → TCP/IP. No celular, esquecer a rede Wi-Fi e conectar de novo tem efeito parecido. Para fixar um endereço, o caminho mais seguro é a reserva de DHCP no painel do roteador, que associa um IP ao MAC do aparelho. Se o aparelho usa MAC privado (iPhone e Android modernos), escolha o modo fixo para aquela rede, ou a reserva deixa de funcionar.

Como confirmar que a troca funcionou

  1. Abra a página Meu IP e compare o IPv4 e o IPv6 com os que você anotou.
  2. Confira provedor e país no localizador de IP. Com VPN, devem aparecer o provedor de data center e o país escolhido.
  3. Rode o teste de vazamento WebRTC para ver se o navegador expõe o IP real por fora do túnel.
  4. Faça um teste de vazamento de DNS: se aparecerem servidores da sua operadora com a VPN ligada, as consultas estão escapando do túnel.

O que mudar o IP não faz

Trocar o IP não deixa ninguém invisível. Pelo Marco Civil da Internet, a operadora deve guardar os registros de conexão (data, hora e IP usado) por 1 ano (art. 13), e os serviços on-line guardam os registros de acesso por 6 meses (art. 15). Esses dados só são entregues com ordem judicial, mas existem, e nenhuma troca de IP os apaga.

Além disso, contas logadas, cookies e a impressão digital do navegador continuam identificando você depois da troca. Se o objetivo é privacidade, combine as medidas descritas em cookies, fingerprinting e rastreamento e em navegação anônima. Para entender o que a operadora consegue ver, leia o provedor sabe o que você acessa?.

Sim. Reiniciar o roteador, usar VPN, proxy ou Tor é permitido. Há dois cuidados. O primeiro são os termos de uso: serviços de streaming e algumas plataformas proíbem VPN ou acesso a catálogos de outros países e podem bloquear a conta ou o acesso, então verifique antes. O segundo são os bloqueios judiciais: em agosto de 2024, durante a suspensão do X no Brasil, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, previu multa de R$ 50 mil para pessoas e empresas que usassem VPN para continuar acessando a plataforma. Usar a troca de IP para driblar uma ordem judicial pode, portanto, gerar punição.

E se um site bloqueou você por excesso de tentativas de login, a saída é esperar o bloqueio expirar ou falar com o suporte. Trocar o IP para insistir pode piorar a situação e não resolve a causa.

Para aprofundar, veja também como proteger seu IP e os riscos do Wi-Fi público.

Ferramentas usadas neste guia

Perguntas frequentes

Reiniciar o roteador muda o IP?
Muitas vezes sim, mas não sempre. Em planos com IP dinâmico, a operadora costuma entregar outro IPv4 quando a conexão é refeita. Se você tem IP fixo, se a operadora mantém o mesmo endereço por mais tempo ou se a conexão está atrás de CGNAT, o IP pode continuar igual ou mudar só para outro IP compartilhado. O prefixo IPv6 também pode permanecer o mesmo.
Como mudar o IP do celular?
Nos dados móveis, ligue o modo avião por alguns segundos e desligue: o aparelho se reconecta à rede da operadora e normalmente recebe outro endereço. No Wi-Fi, o IP público é o do roteador, então é preciso reiniciar o roteador ou usar uma VPN. Confira antes e depois na página Meu IP.
Mudar o IP é crime?
Não. Reiniciar o roteador, usar VPN, proxy ou Tor é legal no Brasil. O que pode gerar punição é usar a troca de IP para cometer crimes ou para driblar bloqueios determinados pela Justiça. Além disso, alguns serviços proíbem VPN nos termos de uso e podem bloquear o acesso.
Mudar o IP apaga meu histórico ou me deixa anônimo?
Não. Pelo Marco Civil da Internet, a operadora guarda por 1 ano os registros de qual IP você usou e quando, e serviços on-line guardam os registros de acesso por 6 meses. Cookies, contas logadas e a impressão digital do navegador também continuam identificando você depois da troca.
VPN gratuita serve para mudar o IP?
Serve, mas com cuidado. O serviço precisa se pagar de alguma forma, e algumas VPNs gratuitas limitam velocidade, exibem anúncios ou coletam dados de navegação. Leia a política de privacidade, prefira serviços com auditoria independente e teste se há vazamento de IPv6 e WebRTC depois de conectar.
Como sair do CGNAT?
Peça à operadora um IP público válido (às vezes chamado de IP real). Algumas liberam sem custo, outras só em planos empresariais ou mediante taxa. Antes, confirme se você está mesmo atrás de CGNAT comparando o IP WAN do roteador com o IP público, ou use o teste de CGNAT.

Fontes e referências

  1. Lei 12.965/2014 (Marco Civil da Internet), arts. 13 e 15
  2. Tor Project: gerenciar identidades e circuitos no Tor Browser
  3. Apple: Sobre a Retransmissão Privada do iCloud
  4. Microsoft Learn: comando ipconfig
  5. RFC 6598: faixa 100.64.0.0/10 reservada para CGNAT
  6. Google: Estatísticas de adoção do IPv6 por país
  7. CNN Brasil: Moraes proíbe uso de VPN para acessar o X sob pena de multa de R$ 50 mil (30/08/2024)

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