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DNS privado no Android e iPhone: o que é e como ativar
Veja o que é o DNS privado, quando usar Automático ou nome do host, os endereços de Cloudflare, Google, Quad9 e AdGuard e como ativar no Android e no iPhone.
Veja o que a operadora enxerga da sua navegação e o que não, o que o Marco Civil permite guardar e como o DNS criptografado e a VPN reduzem essa exposição.

Foto: Yuri Samoilov, via Wikimedia Commons (CC BY 3.0, recortada)
Em parte. O seu provedor de internet consegue ver para quais domínios e endereços IP você se conecta, em que horários e quanto tráfego usa. Ele não consegue ler o conteúdo de sites com HTTPS, o que você pesquisa no Google nem as suas mensagens do WhatsApp. E a lei brasileira proíbe que ele monitore o conteúdo dos pacotes e que guarde a lista de sites e serviços que você acessa.
A seguir você vê, item por item, o que a operadora enxerga, o que fica protegido, o que o Marco Civil da Internet obriga e proíbe, e como reduzir ainda mais essa exposição com DNS criptografado e VPN. Vale para fibra, cabo, rádio e também para a rede móvel 4G e 5G, seja a sua operadora a Vivo, a Claro, a TIM ou um provedor regional.
Todo pacote que sai da sua casa passa pela rede do provedor. Mesmo com criptografia, alguns dados precisam ficar visíveis para que a internet funcione, e outros vazam por configurações padrão.
Antes de abrir um site, o aparelho pergunta ao DNS qual é o IP de um nome como exemplo.com.br. Por padrão, quem responde é o DNS do próprio provedor, entregue automaticamente pelo roteador, e a consulta tradicional viaja sem criptografia. Nesse cenário, o provedor sabe cada domínio que os seus aparelhos procuram. Isso já mudou bastante: o Chrome, por exemplo, vem com o DNS seguro em modo automático e passa a criptografar as consultas quando o DNS configurado oferece suporte, e o Android tem a opção de DNS privado. Veja como funciona o DNS se quiser entender o processo.
Ao abrir uma conexão HTTPS, o navegador informa o nome do site no primeiro pacote, um campo chamado SNI, para que o servidor saiba qual certificado apresentar. Sem uma tecnologia chamada ECH, esse nome segue legível mesmo quando o DNS está criptografado.
O endereço IP de destino precisa estar visível em todo pacote, senão ele não chega. Muitos IPs pertencem a empresas conhecidas, então o provedor consegue saber que você usou um serviço de vídeo ou de mensagens, quando e quanto tráfego trocou com ele.
Por padrões de tamanho e tempo dos pacotes, equipamentos de gerenciamento de rede conseguem estimar se um fluxo é vídeo, chamada ou download, e conseguem reconhecer protocolos de VPN. Isso não revela o conteúdo, e o Marco Civil limita o que o provedor pode fazer com essa capacidade, como você verá adiante.
O HTTPS, hoje usado pela imensa maioria dos sites, criptografa tudo o que vem depois do nome do domínio. Com ele, o provedor não vê:
Não. Ele vê que houve conexão com o Google, mas os termos ficam dentro do HTTPS. Quem sabe o que você pesquisou é o próprio Google, principalmente se você estiver logado.
Ele vê que o aparelho conversou com os servidores desses apps, em que horário e em que volume. O conteúdo, as fotos, as conversas e os perfis que você abriu ficam criptografados.
Sim, da mesma forma que a aba normal. O modo privado só muda o que o navegador guarda no seu aparelho, como explicamos em aba anônima protege?.
| Informação | Configuração padrão | Com DNS criptografado | Com VPN |
|---|---|---|---|
| Domínios consultados no DNS | Configuração padrãoVisíveis, se o DNS for o do provedor sem criptografia | Com DNS criptografadoOcultos | Com VPNOcultos |
| Nome do site no SNI | Configuração padrãoVisível, exceto em sites com ECH | Com DNS criptografadoVisível, exceto em sites com ECH | Com VPNOculto |
| IPs de destino | Configuração padrãoVisíveis | Com DNS criptografadoVisíveis | Com VPNSó o IP do servidor da VPN |
| Conteúdo de sites HTTPS | Configuração padrãoOculto | Com DNS criptografadoOculto | Com VPNOculto |
| Horários e volume de dados | Configuração padrãoVisíveis | Com DNS criptografadoVisíveis | Com VPNVisíveis, como tráfego para a VPN |
| Uso de VPN | Configuração padrãoNão se aplica | Com DNS criptografadoNão se aplica | Com VPNIdentificável, mas sem o conteúdo |
O Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014) separa dois tipos de empresa. O provedor de conexão é quem leva a internet até você, como a sua operadora. O provedor de aplicações é o site ou app que você usa, como uma rede social ou uma loja virtual. As regras são diferentes para cada um.
O art. 13 obriga o administrador do sistema autônomo, na prática a operadora que fornece o seu acesso, a manter os registros de conexão por 1 ano, sob sigilo e em ambiente seguro. Esses registros são, pela definição do art. 5º, a data e a hora de início e de término de cada conexão, a duração e o endereço IP atribuído ao seu terminal. A polícia, uma autoridade administrativa ou o Ministério Público podem pedir, de forma cautelar, que eles sejam guardados por mais tempo, mas precisam de autorização judicial para acessá-los.
Pelo art. 10, os registros de conexão e de acesso só são entregues mediante ordem judicial, e o conteúdo das comunicações também depende de ordem judicial. Há uma exceção importante: os dados cadastrais (nome, filiação, endereço e qualificação pessoal) podem ser requisitados diretamente, sem ordem judicial, por autoridades administrativas que tenham competência legal para isso, como delegados de polícia e o Ministério Público nos casos previstos em lei (art. 10, § 3º). O Decreto 8.771/2016 exige que esses pedidos indiquem o fundamento legal, especifiquem as pessoas envolvidas e proíbe pedidos coletivos genéricos.
O art. 15 obriga os provedores de aplicações organizados como empresa a guardar os registros de acesso (data, hora e IP de cada uso) por 6 meses. Ou seja: quem sabe que você entrou em determinado serviço, e de qual IP, é o próprio serviço, não a sua operadora.
Muitas operadoras brasileiras, sobretudo nas redes móveis e em parte da fibra, usam CGNAT: o mesmo IP público é compartilhado ao mesmo tempo por vários clientes. Nesse caso, saber o IP e o horário não basta para apontar um assinante. É preciso também a porta de origem usada naquela conexão, e por isso redes com CGNAT precisam registrar a tradução entre o endereço interno do cliente e o par IP público e porta, como descreve a RFC 7422. Descubra se a sua conexão está atrás de CGNAT com o teste de CGNAT e entenda o assunto em o que é CGNAT.
A operadora também é controladora de dados pessoais e precisa seguir a LGPD: ter base legal para cada tratamento, informar para que usa os dados e atender aos seus pedidos de acesso, correção e eliminação, respeitando a guarda obrigatória do Marco Civil. Você pode pedir à sua operadora uma cópia dos dados que ela tem sobre você.
Quem administra a rede local ocupa uma posição parecida com a do provedor, e não está sujeito às mesmas regras de guarda. O dono de um Wi-Fi pode ver, no roteador, quais aparelhos se conectaram e, se o roteador fizer o papel de DNS, os domínios consultados. O conteúdo HTTPS continua protegido.
Em computadores e celulares da empresa a situação é diferente: a equipe de TI pode instalar certificados e softwares de monitoramento que permitem inspecionar até o tráfego HTTPS. Em aparelho corporativo, parta do princípio de que tudo o que você faz pode ser registrado. Para saber quem está na sua própria rede, veja quem está usando meu Wi-Fi.
É a medida mais simples e não custa nada. Com DNS por HTTPS (DoH), por TLS (DoT) ou por QUIC (DoQ), as consultas deixam de viajar legíveis.
one.one.one.one ou dns.google. Vale para Wi-Fi e dados móveis.O passo a passo completo para cada sistema e para o roteador está em como configurar o DNS e em DNS privado no Android e no iPhone. Antes de trocar, você pode comparar qual DNS responde mais rápido na sua conexão com o teste de DNS mais rápido.
| Tipo | Porta e transporte | O que o provedor vê |
|---|---|---|
| DNS tradicional | Porta e transporte53, UDP ou TCP | O que o provedor vêCada domínio consultado |
| DNS por TLS (DoT) | Porta e transporte853, TCP | O que o provedor vêQue você usa DoT e com qual servidor, mas não as consultas |
| DNS por HTTPS (DoH) | Porta e transporte443, TCP ou UDP (HTTP/3) | O que o provedor vêUma conexão HTTPS com o servidor de DNS, sem as consultas |
| DNS por QUIC (DoQ) | Porta e transporte853, UDP | O que o provedor vêQue você usa DoQ e com qual servidor, mas não as consultas |
Lembre que o DNS criptografado esconde só as consultas. O IP de destino continua visível, e o nome do site pode aparecer no SNI.
O Encrypted Client Hello criptografa o início da conexão, incluindo o nome do site. Ele foi padronizado na RFC 9849, publicada em março de 2026, e já vinha ativado no Chrome desde a versão 117 e no Firefox desde a versão 119. A limitação está do lado dos sites: o ECH só funciona quando o servidor oferece suporte e o navegador encontra a configuração no DNS. A Cloudflare, por exemplo, ativa o ECH por padrão nos planos gratuitos, e aí quem observa a rede vê apenas que você acessou um site hospedado na Cloudflare, sem saber qual. O IP de destino continua visível.
Com a VPN, o provedor passa a ver só uma conexão criptografada com o servidor da VPN. Domínios, IPs de destino e SNI ficam ocultos para ele. Em troca, a empresa da VPN passa a ter essa visão, então prefira serviços que publicam auditorias independentes e recentes da política de não registro. Ela define quais dados existem sobre você em caso de vazamento ou de requisição de uma autoridade.
Para quem usa iPhone, iPad ou Mac com assinatura iCloud+, a Retransmissão Privada protege a navegação no Safari com dois retransmissores: o primeiro vê o seu IP, mas não o site, e o segundo vê o site, mas não o seu IP. Ela não cobre todos os apps e não está disponível em todos os países.
O provedor vê o “envelope” das suas conexões: para quem você fala, quando e quanto. O HTTPS protege a “carta”, que é o conteúdo. Pela lei, a operadora guarda só os registros de conexão por um ano, não pode manter o histórico de sites nem analisar o conteúdo, e só entrega registros com ordem judicial. Se você quiser esconder também o envelope, ative o DNS criptografado e use uma VPN confiável nas situações em que isso importa.
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Equipe Qual Meu IP · Conteúdo editorial
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