
Privacidade12 min
DNS privado no Android e iPhone: o que é e como ativar
Veja o que é o DNS privado, quando usar Automático ou nome do host, os endereços de Cloudflare, Google, Quad9 e AdGuard e como ativar no Android e no iPhone.
Descubra o que é DNS, como ele transforma nomes de sites em IPs, o que são cache e TTL e quais servidores DNS são mais rápidos e seguros para você.

Foto: NOIRLab/NSF/AURA/T. Slovinský, via Wikimedia Commons (CC BY 4.0, recortada)
DNS (Domain Name System, ou Sistema de Nomes de Domínio) é o serviço que traduz nomes como qual-meu-ip.com nos endereços IP que os computadores usam para se conectar. Toda vez que você abre um site ou um aplicativo, o aparelho pergunta a um servidor DNS qual IP corresponde àquele nome e recebe a resposta em milissegundos, quase sempre direto de um cache. Sem o DNS, você teria de decorar números como 104.21.41.51 para chegar a cada site.
Abaixo você vê como uma consulta funciona de verdade, com o exemplo real deste site, os tipos de registro, cache e TTL, os servidores DNS públicos, privacidade, segurança e como resolver os erros mais comuns. Para consultar os registros de qualquer domínio agora, use o DNS Lookup.
Antes do DNS, a rede que deu origem à internet usava um único arquivo de texto, o HOSTS.TXT, mantido pelo centro de informações do Stanford Research Institute. Cada computador precisava baixar uma cópia atualizada para saber qual número correspondia a cada nome, o que deixou de funcionar quando a rede cresceu. Em 1983, Paul Mockapetris publicou as RFCs 882 e 883, que descreveram o DNS. A base atual são as RFCs 1034 e 1035, de 1987, complementadas por dezenas de especificações posteriores.
O DNS é distribuído e hierárquico: nenhum servidor conhece todos os nomes, e cada parte do endereço é administrada por um responsável diferente. É isso que permite que ele atenda a internet inteira e continue funcionando quando servidores falham. O velho arquivo de hosts ainda existe nos sistemas (no Windows, em C:\Windows\System32\drivers\etc\hosts; no macOS e no Linux, em /etc/hosts) e é consultado antes do DNS.
13
identidades de servidores raiz, de A a M, mantidas por 12 operadores independentes
Fonte: root-servers.org
2.047
instâncias de servidores raiz em operação em outubro de 2026, inclusive no Brasil
Fonte: root-servers.org
1983
ano das primeiras especificações do DNS, nas RFCs 882 e 883
Fonte: IETF
Veja o que acontece quando você digita qual-meu-ip.com pela primeira vez, sem nada guardado em cache:
Navegador e sistema verificam o cache
A pergunta vai ao resolvedor recursivo
O resolvedor pergunta à raiz
O resolvedor pergunta ao servidor do .com
O servidor autoritativo responde
A resposta volta e fica guardada
Os endereços acima são os que este site usava em outubro de 2026 e podem mudar. Na prática, a maior parte das consultas termina no primeiro ou no segundo passo, porque nomes populares já estão em algum cache.
Entre o seu aparelho e o resolvedor, a consulta é recursiva: o aparelho pede a resposta final e espera. Entre o resolvedor e os servidores da hierarquia, as consultas são iterativas: cada servidor responde apenas com uma indicação (“pergunte àquele outro”), e o resolvedor segue a cadeia até chegar ao servidor que tem o registro.
No topo ficam os servidores raiz. São 13 identidades, de a.root-servers.net a m.root-servers.net, cada uma com um endereço IPv4 e um IPv6, mantidas por 12 organizações. Graças ao anycast, que permite a várias máquinas responderem pelo mesmo endereço, essas 13 identidades somavam 2.047 instâncias em operação em outubro de 2026, inclusive em cidades brasileiras como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre e Curitiba. O número 13 vem do limite histórico de 512 bytes para respostas DNS sobre UDP, definido na RFC 1035. Hoje a extensão EDNS(0) permite respostas maiores, mas a quantidade foi mantida por compatibilidade.
Logo abaixo estão os domínios de topo (TLDs). O .com é operado pela Verisign; o .org, pela Public Interest Registry; e o .br, pelo NIC.br, por meio do Registro.br. Cada TLD sabe quais servidores respondem pelos domínios registrados nele.
São os servidores que guardam os registros de cada domínio, configurados pelo dono ou pelo serviço de DNS que ele contratou (no caso deste site, a Cloudflare). Para ver quem registrou um domínio, quando ele expira e quais servidores de nomes ele usa, consulte o Whois.
Cada domínio pode ter vários tipos de registro, cada um com uma função:
| Registro | O que guarda | Exemplo de uso |
|---|---|---|
| A | O que guardaEndereço IPv4 | Exemplo de usoPara qual servidor o domínio aponta |
| AAAA | O que guardaEndereço IPv6 | Exemplo de usoO mesmo papel, em IPv6 |
| CNAME | O que guardaApelido para outro nome | Exemplo de usowww apontando para o domínio principal |
| MX | O que guardaServidores de e-mail | Exemplo de usoOnde entregar mensagens enviadas ao domínio |
| TXT | O que guardaTexto livre | Exemplo de usoSPF, DKIM, DMARC e verificações de propriedade |
| NS | O que guardaServidores autoritativos | Exemplo de usoQuem responde pelo domínio |
| SOA | O que guardaDados da zona | Exemplo de usoServidor primário, número de série e tempos de atualização |
| PTR | O que guardaNome associado a um IP (DNS reverso) | Exemplo de usoIdentificar servidores, sobretudo de e-mail |
| CAA | O que guardaAutoridades certificadoras permitidas | Exemplo de usoQuem pode emitir o certificado SSL do domínio |
| SRV | O que guardaServiço, porta e servidor | Exemplo de usoTelefonia SIP e alguns jogos e serviços |
| HTTPS e SVCB | O que guardaParâmetros de conexão (RFC 9460) | Exemplo de usoAvisar sobre HTTP/3 e ECH antes de conectar |
Você pode consultar todos eles no DNS Lookup. O registro PTR é explicado em IP reverso, e os registros de e-mail em SPF, DKIM e DMARC, com verificação na ferramenta verificar SPF e DMARC.
Se toda consulta percorresse a hierarquia inteira, a navegação seria bem mais lenta. Por isso as respostas são guardadas em vários pontos: no navegador, no sistema operacional, muitas vezes no roteador e, principalmente, no resolvedor recursivo.
Cada registro traz um TTL (time to live), que diz por quantos segundos ele pode ficar em cache. O registro A deste site, por exemplo, usa 300 segundos (5 minutos); domínios que mudam pouco costumam usar horas. Quando alguém altera um registro, os caches antigos só expiram quando o TTL termina, e esse intervalo é o que se chama de propagação DNS. Ele depende do TTL que estava configurado antes da mudança. Acompanhe uma alteração com a ferramenta de propagação DNS e entenda os prazos em quanto tempo demora a propagação.
Quando um site mudou de servidor ou você suspeita de uma resposta antiga, limpe o cache:
# Windows (Prompt de Comando)
ipconfig /flushdns
# macOS (Terminal)
sudo dscacheutil -flushcache; sudo killall -HUP mDNSResponder
# Linux com systemd-resolved
resolvectl flush-cachesNo Chrome, a página chrome://net-internals/#dns tem o botão “Clear host cache”. No celular, ativar e desativar o modo avião ou reiniciar o aparelho costuma bastar. O passo a passo completo está em como limpar o cache DNS.
Por padrão, o roteador entrega aos aparelhos o resolvedor do provedor. Você pode trocá-lo por um resolvedor público, no roteador (vale para a casa toda) ou em cada aparelho:
| Serviço | Endereços IPv4 | Nome para DNS privado | O que filtra |
|---|---|---|---|
| Google Public DNS | Endereços IPv48.8.8.8 e 8.8.4.4 | Nome para DNS privadodns.google | O que filtraNada |
| Cloudflare | Endereços IPv41.1.1.1 e 1.0.0.1 | Nome para DNS privadoone.one.one.one | O que filtraNada |
| Cloudflare for Families (segurança) | Endereços IPv41.1.1.2 e 1.0.0.2 | Nome para DNS privadosecurity.cloudflare-dns.com | O que filtraMalware |
| Cloudflare for Families (família) | Endereços IPv41.1.1.3 e 1.0.0.3 | Nome para DNS privadofamily.cloudflare-dns.com | O que filtraMalware e conteúdo adulto |
| Quad9 | Endereços IPv49.9.9.9 e 149.112.112.112 | Nome para DNS privadodns.quad9.net | O que filtraDomínios maliciosos |
| DNS do provedor | Endereços IPv4Informado pelo roteador | Nome para DNS privadoNão se aplica | O que filtraBloqueios determinados pela Justiça ou pela Anatel |
O OpenDNS, da Cisco, usa 208.67.222.222 e 208.67.220.220, e a versão FamilyShield (208.67.222.123 e 208.67.220.123) bloqueia conteúdo adulto.
Privacidade. Segundo o Google, os registros temporários do Google Public DNS, que incluem o IP completo, são apagados em 24 a 48 horas; uma amostra fica guardada de forma permanente, sem o IP, apenas com localização no nível de cidade e o número do sistema autônomo. A Cloudflare se compromete a não gravar o IP de quem consulta o 1.1.1.1 (exceto em uma pequena amostra para diagnóstico), a apagar os registros em até 25 horas e a não usar os dados para anúncios, com auditoria independente. O Quad9, fundação sem fins lucrativos sediada na Suíça, afirma não guardar os IPs dos usuários. Já o resolvedor do provedor vê todas as suas consultas; o Marco Civil da Internet (art. 14) proíbe o provedor de conexão de guardar registros de acesso a aplicações de internet.
Velocidade. Não existe “o DNS mais rápido” para todo mundo: o resultado depende de onde você está e da rota até cada serviço. Meça na sua conexão com o teste de velocidade de DNS e veja a comparação em 1.1.1.1 ou 8.8.8.8. Os detalhes de cada serviço estão no guia de DNS públicos (por exemplo, Cloudflare, Google e Quad9), e o passo a passo para trocar está em como configurar o DNS.
O DNS tradicional, na porta 53, não é criptografado. Quem está no caminho, como o provedor ou o responsável por um Wi-Fi público, pode ver quais nomes você consulta e, em redes mal-intencionadas, até alterar as respostas. Para resolver isso existem dois padrões:
Em 2026, boa parte dos aparelhos já usa ou oferece DNS criptografado:
O passo a passo para o celular está em DNS privado no Android e no iPhone.
Mesmo com DoH ou DoT, o provedor continua vendo o IP do servidor com que você se conecta. Além disso, no início de uma conexão HTTPS o navegador costuma enviar o nome do site em aberto, no campo SNI. A extensão ECH (Encrypted Client Hello), padronizada na RFC 9849 em março de 2026, criptografa essa informação, e navegadores como Chrome e Firefox já a usam quando o site oferece suporte. Para esconder o tráfego do provedor como um todo, é preciso uma VPN; entenda os limites em seu provedor sabe o que você acessa? e o que é VPN. Se você usa VPN, confira se as consultas DNS não estão vazando por fora do túnel com as dicas de como saber se seu IP foi vazado.
O DNSSEC acrescenta assinaturas digitais aos registros. A raiz assina as chaves dos TLDs, os TLDs assinam as dos domínios, e assim se forma uma cadeia de confiança. O resolvedor que valida DNSSEC descarta respostas adulteradas. O DNSSEC não criptografa nada: ele garante autenticidade, enquanto DoH e DoT garantem sigilo no trajeto. Donos de domínios .br podem ativá-lo pelo painel do Registro.br, desde que o serviço de DNS usado suporte.
Nesse ataque, alguém tenta fazer um resolvedor aceitar uma resposta falsa, que passa a ser entregue a todos os usuários até o TTL expirar. Os resolvedores modernos dificultam isso com portas e identificadores aleatórios, e o DNSSEC elimina o problema nos domínios assinados.
O ataque mais relevante para usuários domésticos no Brasil é a troca do DNS configurado no roteador. Em 2018, pesquisadores da Netlab 360 descreveram a campanha GhostDNS, que invadiu mais de 100 mil roteadores de mais de 70 modelos, 87,8% deles no Brasil, e trocou o DNS para levar os usuários a páginas falsas de bancos. Para se proteger:
Veja como acessar o painel no guia de acesso ao roteador e outras proteções em firewall: o que é e riscos do Wi-Fi público.
Um roteiro rápido para descobrir a causa:
# Windows, macOS e Linux
nslookup qual-meu-ip.com
nslookup qual-meu-ip.com 1.1.1.1
# Windows PowerShell
Resolve-DnsName qual-meu-ip.com -Type AAAA
# macOS e Linux
dig qual-meu-ip.com +shortSe o resolvedor público responde e o do provedor não, a falha está no DNS do provedor, e trocar o DNS resolve. Mais comandos úteis estão em comandos de rede no CMD.
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