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Privacidade

Aba anônima protege? O que o modo privado esconde

Descubra o que a aba anônima realmente esconde, o que seu provedor, o dono do Wi-Fi e os sites ainda veem e quando usar VPN ou Tor em vez dela.

Equipe Qual Meu IP9 min de leitura
Notebook aberto com a tela acesa iluminando uma cama em um quarto escuro durante a noite

Foto: Jay Wennington, via Wikimedia Commons (CC0 1.0, recortada)

A aba anônima protege pouco. Ela só impede que o navegador guarde o histórico, os cookies e o que você digitou em formulários depois que você fecha todas as janelas privadas. Ela não esconde o seu IP, não esconde o que você faz do provedor, do dono do Wi-Fi ou da empresa, e os sites continuam vendo e registrando a sua visita.

Em outras palavras, o modo privado serve para privacidade no seu aparelho, não na internet. A seguir você vê como abrir a aba anônima em cada navegador, o que ela realmente faz, quem continua vendo a sua atividade, as proteções extras que cada navegador passou a oferecer e quando vale usar VPN ou Tor no lugar dela.

Como abrir a aba anônima em cada navegador

Cada navegador dá um nome diferente para o mesmo recurso: navegação anônima no Chrome, InPrivate no Edge, janela privativa no Firefox e navegação privada no Safari.

Atalhos e menus do modo privado
Google ChromeComputadorCtrl+Shift+N (Windows e Linux) ou ⌘+Shift+N (Mac), ou menu ⋮ > Nova janela anônimaCelularMenu ⋮ > Nova guia anônima
Microsoft EdgeComputadorCtrl+Shift+N ou menu ⋯ > Nova janela InPrivateCelularBotão de guias > InPrivate
Mozilla FirefoxComputadorCtrl+Shift+P (Windows e Linux) ou ⌘+Shift+P (Mac)CelularBotão de abas > ícone de máscara
SafariComputadorArquivo > Nova Janela com Navegação Privada (⌘+Shift+N)CelularNo iPhone, botão de abas > Privada

Os menus dos apps de celular mudam um pouco entre versões, mas a opção sempre fica junto da lista de abas ou no menu principal.

O que o modo privado faz

  • Não salva o histórico das páginas visitadas na sessão privada.
  • Descarta cookies e dados de sites quando você fecha a sessão. No Chrome, no Edge e no Firefox, todas as janelas privadas abertas compartilham a mesma sessão, então os dados só são apagados quando você fecha a última delas.
  • Não guarda o que você digita em formulários para preencher depois. Atenção: se você aceitar salvar uma senha durante a sessão, conforme o navegador ela pode ir para o gerenciador de senhas normal.
  • Começa sem login. A sessão privada não usa os cookies da janela normal, então você aparece deslogado dos sites. Isso é útil para entrar com outra conta ou ver uma página como um visitante comum.
  • No Safari, a navegação de cada aba privada é isolada das outras, para que os sites não liguem uma sessão à outra.

O que continua salvo no aparelho

  • Arquivos baixados continuam na pasta de downloads. O Safari apenas não os lista no histórico de downloads.
  • Favoritos criados durante a sessão privada continuam salvos no Chrome, no Edge e no Firefox.
  • O cache de DNS do sistema pode guardar por algum tempo os domínios que o computador consultou, inclusive na aba anônima. No Windows, dá para ver e limpar esse cache no Prompt de Comando:
Prompt de Comando (Windows)
ipconfig /displaydns
ipconfig /flushdns

O primeiro comando lista o que está no cache, e o segundo apaga. O passo a passo para outros sistemas está em como limpar o cache de DNS.

Quem ainda vê o que você faz na aba anônima

A própria ajuda do Chrome resume bem: os sites que você visita, incluindo os do Google, e as organizações que gerenciam a sua rede, como a escola, o empregador ou o provedor de internet, podem observar a sua atividade. Na prática, continuam vendo:

  • Os sites e os serviços incorporados neles, como ferramentas de análise e de anúncios, que registram a visita normalmente enquanto a sessão estiver aberta.
  • O provedor de internet, que vê os domínios, os IPs de destino e o volume de dados, como explica o guia o que o provedor consegue ver.
  • O dono do Wi-Fi e a rede da empresa ou da escola, que podem registrar acessos no roteador ou em sistemas de monitoramento.
  • A conta em que você fizer login. Se entrar no Google, no Instagram ou em qualquer outro serviço, a atividade fica associada à sua conta.
  • Programas e extensões instalados no computador, incluindo softwares de monitoramento e extensões que você autorizou a rodar no modo privado.

As proteções extras de cada navegador

Nos últimos anos, alguns navegadores passaram a oferecer mais do que apagar dados no modo privado. Mesmo assim, nenhum deles esconde o seu IP sem uma ferramenta adicional.

O que cada modo privado acrescenta
ChromeBloqueia cookies de terceiros por padrão na navegação anônima.
EdgeA Microsoft avisa que o InPrivate não traz bloqueio de anúncios adicional. Você pode bloquear cookies de terceiros e ajustar a prevenção de rastreamento para o nível mais restrito nas configurações.
FirefoxApaga histórico e cookies de rastreamento ao fechar a última janela privativa e oferece proteções mais fortes contra fingerprinting na navegação privativa.
SafariAtiva por padrão a proteção avançada contra rastreamento e identificação, remove parâmetros de rastreamento conhecidos dos links e isola cada aba.
BraveBloqueio de rastreadores ativo em todas as janelas e opção de janela privada que passa pela rede Tor.

Mitos comuns sobre a aba anônima

  • “Ninguém sabe o que eu faço.” Só quem usa o mesmo aparelho depois de você deixa de ver o histórico. Sites, rede e provedor continuam vendo.
  • “Meu IP fica escondido.” Não fica. O IP identifica a sua conexão e permite estimar a sua localização aproximada. Veja o que dá para descobrir com um IP.
  • “Protege contra vírus e golpes.” Não protege. Um arquivo malicioso baixado na aba anônima continua no computador, e uma página falsa continua falsa.
  • “Os sites não me rastreiam.” Durante a sessão, cookies, tags e fingerprinting funcionam. As técnicas estão explicadas em cookies e fingerprinting.
  • “É mais seguro no Wi-Fi público.” Não é. Na rede pública, o que protege é o HTTPS e, se necessário, uma VPN. Veja os cuidados em riscos do Wi-Fi público.

Aba anônima, VPN e Tor: o que cada um oferece

VPN

A VPN cria um túnel criptografado entre o aparelho e o servidor da empresa de VPN. Os sites passam a ver o IP desse servidor, e o provedor deixa de ver os destinos. Ela protege a camada de rede, mas não apaga dados do navegador nem bloqueia cookies e fingerprinting. Exige confiar na empresa da VPN e pode reduzir a velocidade e aumentar o ping, conforme o servidor.

Tor

O Tor passa o tráfego por três servidores voluntários, chamados relays, e o criptografa em camadas: cada servidor retira uma camada e só conhece o anterior e o próximo do caminho. O Tor Browser também organiza a navegação pelo site que aparece na barra de endereço, usando circuitos diferentes para sites diferentes, e tenta fazer todos os usuários parecerem iguais para dificultar o fingerprinting. Como o último servidor do caminho entrega os dados ao site, uma conexão sem HTTPS poderia ser lida ali, e por isso o Tor Browser usa o modo somente HTTPS. O custo é a velocidade, e muitos sites pedem verificações extras para quem chega pelo Tor.

Modo privado, VPN e Tor
Esconde o IP dos sitesAba anônimaNãoVPNSim, mostra o IP do servidor da VPNTor BrowserSim, mostra o IP do último relay
Esconde os destinos do provedorAba anônimaNãoVPNSimTor BrowserSim
Apaga histórico e cookies ao fecharAba anônimaSimVPNNãoTor BrowserSim
Reduz fingerprintingAba anônimaDepende do navegadorVPNNãoTor BrowserSim, por padronização
VelocidadeAba anônimaNormalVPNPode cair um pouco, conforme o servidorTor BrowserBem mais lenta
CustoAba anônimaGratuitoVPNGratuito limitado ou pagoTor BrowserGratuito

Quando usar cada um

  • Aba anônima: computador compartilhado ou de terceiros, pesquisar um presente sem deixar histórico, entrar numa segunda conta, ver um site como visitante deslogado ou testar se um problema vem dos cookies.
  • VPN: Wi-Fi público, viagens e quando você não quer que o provedor e os sites vejam a sua conexão real. Alguns bancos, serviços do governo e plataformas de streaming podem pedir verificação extra para IPs de VPN, então o recurso de divisão de túnel, que deixa certos apps fora da VPN, ajuda no dia a dia.
  • Tor: situações em que o anonimato importa mais do que a velocidade, como jornalistas protegendo fontes ou pessoas em países com censura.

Combinar ferramentas resolve mais do que trocar uma pela outra: um navegador com bloqueio de rastreadores, uma VPN quando a rede não é confiável e a aba anônima para não deixar rastros no aparelho. Para conferir se a VPN não está deixando o IP real escapar pelo navegador, use o teste de vazamento WebRTC.

Controle parental e computadores da empresa

O modo privado pode estar desativado de propósito. No Edge, por exemplo, crianças com filtros e relatórios de atividade ativados no grupo da família não conseguem abrir janelas InPrivate, e empresas e escolas podem bloquear o recurso por política. Outras ferramentas de controle parental fazem o mesmo nos navegadores que gerenciam. Em computador da empresa, considere que a navegação pode ser registrada mesmo na aba anônima.

Em resumo

A aba anônima cumpre bem o que promete: não deixar histórico, cookies e formulários salvos no aparelho depois que você fecha todas as janelas privadas. Ela não é uma capa de invisibilidade na internet. Para esconder o IP e os destinos do provedor, use VPN ou Tor. Para dificultar o rastreamento entre sites, use um navegador com proteção e um bloqueador. E para entender todas as camadas de proteção, veja como proteger o seu IP.

Ferramentas usadas neste guia

Perguntas frequentes

A aba anônima esconde o que eu acesso do provedor de internet?
Não. O provedor, o dono do Wi-Fi e a rede da empresa ou da escola veem o tráfego da aba anônima exatamente como o da aba normal. O modo privado só muda o que o navegador guarda no seu próprio aparelho.
A aba anônima esconde meu IP?
Não. O IP é o endereço da sua conexão, não do navegador. Abra o Meu IP numa aba normal e numa aba anônima e você verá o mesmo endereço nas duas. Para trocar o IP que os sites veem, é preciso usar VPN, Tor ou outra rede.
Dá para recuperar o histórico da aba anônima?
O navegador não guarda esse histórico, então não há uma lista para recuperar nele. Mas podem sobrar rastros fora do navegador por algum tempo, como o cache de DNS do sistema, os registros do roteador e os dados do próprio site ou da conta em que você fez login.
Usar a aba anônima para acessar o banco é mais seguro?
Não é mais seguro contra golpes ou vírus. A vantagem é não deixar a sessão salva no aparelho, o que ajuda num computador compartilhado. Se o computador for de terceiros, lembre de fechar todas as janelas anônimas ao terminar e nunca salve a senha.
Se eu fizer login no Google na aba anônima, o Google sabe que sou eu?
Sim. Ao fazer login, a atividade daquela sessão fica associada à sua conta, como na aba normal. O modo anônimo só evita que o navegador guarde o histórico e os cookies depois que você fecha todas as janelas privadas.

Fontes e referências

  1. Google: como funciona a navegação anônima no Chrome
  2. Microsoft: navegar InPrivate no Microsoft Edge
  3. Mozilla: navegação privativa no Firefox
  4. Mozilla: proteção contra fingerprinting no Firefox
  5. Apple: navegar de modo privado no Safari do Mac
  6. Brave: recursos de privacidade e janelas privadas com Tor
  7. The Guardian: Google vai destruir bilhões de registros para encerrar ação sobre o modo anônimo (abril de 2024)
  8. Tor Project: como o Tor protege o tráfego
  9. Manual do Tor Browser: identidades e circuitos por site
  10. Manual do Tor Browser: conexões seguras e modo somente HTTPS
  11. Microsoft: comando ipconfig

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