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Como Funciona

O que é geolocalização por IP e como funciona

Entenda como a localização por IP é calculada, por que às vezes mostra outra cidade, como corrigir e o que um IP revela (ou não) sobre onde você está.

Equipe Qual Meu IP11 min de leitura
Luzes noturnas da cidade de Curitiba vistas do espaço pela Estação Espacial Internacional

Foto: NASA, via Wikimedia Commons (Domínio público, recortada)

A geolocalização por IP estima onde uma conexão está a partir do endereço IP público, consultando bases de dados que associam faixas de IP a países, cidades e provedores. Ela costuma acertar o país, muitas vezes acerta a região ou a cidade e nunca mostra o seu endereço: o resultado aponta para a área atendida pelo provedor, não para a sua casa. Para ver o que essas bases dizem sobre qualquer IP, use a ferramenta Localizar IP.

A seguir você entende de onde vêm esses dados, qual é a precisão real no Brasil, por que o seu IP às vezes aparece em outra cidade, como pedir a correção e o que a lei diz sobre o uso dessa informação.

Como funciona a geolocalização por IP

Um endereço IP não carrega coordenadas. O que existe são bancos de dados que dividem a internet em faixas de endereços (prefixos) e associam a cada faixa um país, uma região, uma cidade, um fuso horário e a organização responsável. Quando um site recebe a sua visita, ele consulta essa base com o seu IP público e obtém uma estimativa. Uma consulta típica retorna:

  • país, estado e cidade estimados, às vezes com um CEP aproximado;
  • latitude e longitude do centro da área estimada, com um raio de incerteza;
  • fuso horário;
  • provedor e ASN, o número do sistema autônomo que anuncia aquele bloco na internet.

As coordenadas apontam para o centro de uma área, muitas vezes a região central de uma cidade, e não para um imóvel. Se um mapa mostra um ponto exato, esse ponto é só o meio do círculo de incerteza.

De onde vêm os dados

Os fornecedores combinam várias fontes, com pesos diferentes conforme a empresa:

  • Registros oficiais de endereços: a IANA entrega grandes blocos aos registros regionais, que os repassam a provedores. O bloco 177.0.0.0/8, por exemplo, foi alocado pela IANA ao LACNIC em junho de 2010, e cerca de 80% dele está hoje registrado para organizações no Brasil, segundo as estatísticas de delegação do LACNIC. Esses registros, consultáveis no Whois, indicam o país e a organização, mas não a cidade de cada cliente.
  • Geofeeds publicados pelos provedores: a RFC 8805 define um arquivo simples (uma linha por faixa, com país, estado e cidade) em que o próprio dono dos IPs informa onde eles são usados. A RFC 9092 explica como apontar esse arquivo nos registros de Whois para que os fornecedores o encontrem. A Apple, por exemplo, publica nesse formato a localização dos IPs de saída da Retransmissão Privada do iCloud.
  • Medições de rede: tempo de resposta a partir de pontos conhecidos, rotas de traceroute e nomes de DNS reverso que às vezes incluem siglas de cidades. Veja o que é IP reverso.
  • Correções enviadas por provedores e usuários, revisadas pelo fornecedor.
  • Sinais de localização associados a IPs, como dados de serviços parceiros, quando os termos de uso permitem. Cada fornecedor descreve suas fontes de forma diferente.

Os principais bancos de dados

Bases de geolocalização por IP mais conhecidas
MaxMind GeoIP e GeoLiteVersõesPaga (GeoIP) e gratuita com cadastro e chave de licença (GeoLite)AtualizaçãoGeoIP City: dias úteis; GeoLite City: terças e sextas
DB-IPVersõesPaga e Lite gratuita, sob licença CC BY 4.0AtualizaçãoLite: mensal
IP2LocationVersõesPaga e LITE gratuitaAtualizaçãoConforme o plano
IPinfoVersõesAPI e bases por assinatura, com plano gratuitoAtualizaçãoConforme o plano

O Qual Meu IP usa principalmente uma cópia local da base DB-IP Lite, por isso a localização mostrada nas ferramentas é sempre aproximada e pode divergir de outros sites, que usam outras bases. Cada fornecedor tem fontes e métodos próprios, e é normal que dois serviços mostrem cidades diferentes para o mesmo IP.

Qual é a precisão real

Não existe um teste independente que compare todos os fornecedores com o mesmo método, então os números disponíveis são os que as próprias empresas publicam. A MaxMind declara 99,8% de acerto no país e, para os Estados Unidos, 80% no estado e 68% na cidade dentro de um raio de 50 km. Para o Brasil, a página de comparação da empresa mostrava, em outubro de 2026:

Precisão declarada pela MaxMind para IPs do Brasil (raio de 50 km)
Percentuais publicados pela MaxMind, consultados em outubro de 2026
GeoIP City (paga)Dentro de 50 km84%Cidade a mais de 50 km16%Sem cidade0%
GeoLite City (gratuita)Dentro de 50 km80%Cidade a mais de 50 km19%Sem cidade1%

Na prática, isso significa:

  • País: quase sempre certo, salvo quando há VPN, proxy ou rede corporativa no caminho.
  • Estado e cidade: frequentemente certos, mas um raio de 50 km cobre várias cidades vizinhas em regiões metropolitanas. Um morador de Guarulhos pode aparecer como São Paulo, e um de Niterói, como Rio de Janeiro, sem que a base esteja “errada” pelo critério do fornecedor.
  • Bairro e CEP: não são confiáveis. As bases não foram feitas para esse nível. Se um site mostra a sua rua, ele usou outra fonte, como o GPS do celular, e não o IP.

A precisão também pode mudar entre o IPv4 e o IPv6 da mesma conexão, porque os dois protocolos podem sair para a internet por equipamentos diferentes do provedor.

Por que meu IP mostra outra cidade

Essa é a dúvida mais comum, e as causas costumam ser estas:

  • Ponto de saída do provedor: muitos provedores concentram o tráfego de várias cidades em poucos pontos de conexão com a internet. Com CGNAT, os IPs públicos ficam no equipamento da operadora, que pode estar em outra cidade.
  • Internet móvel: no 4G e no 5G, um mesmo bloco de IPs pode atender uma região inteira, e a base aponta para a cidade do gateway da operadora.
  • VPN, proxy e redes corporativas: o site vê o IP do servidor intermediário. Funcionários em VPN da empresa aparecem na cidade da sede ou do provedor de VPN.
  • Blocos remanejados: quando o provedor transfere uma faixa de uma cidade para outra, a base leva algum tempo para perceber, sobretudo as gratuitas, atualizadas com menos frequência.
  • Endereço do registro: na falta de dados melhores, a base pode usar a cidade da sede do provedor, que aparece no Whois.
  • Retransmissão Privada do iCloud: no Safari, com o recurso ativo, os sites veem um IP da Apple que, por padrão, representa a cidade aproximada mais próxima e preserva a região do usuário.
  • Internet via satélite: o IP costuma ser associado ao ponto de presença da operadora; veja o caso em IP da Starlink.

Como corrigir a localização do seu IP

  1. 1

    Confirme que o erro vem do IP

    Desative VPNs e proxies e veja o que a ferramenta Localizar IP mostra para o seu endereço, junto com o provedor e o ASN. Se o site usa a sua localização por GPS, o problema não é o IP.
  2. 2

    Descubra qual base o site usa

    Sites e serviços usam fornecedores diferentes. Se o erro aparece no Google, por exemplo, a correção precisa ser feita no Google, e não em outro fornecedor.
  3. 3

    Envie a correção ao fornecedor

    O Google tem o formulário “Denunciar problemas de IP” na Ajuda da Pesquisa. A MaxMind e o IPinfo têm formulários próprios de correção, com análise por uma equipe. Outros fornecedores costumam aceitar pedidos pelos canais de contato.
  4. 4

    Peça ao provedor que atualize o geofeed

    A correção mais duradoura vem do dono dos IPs. Pergunte ao provedor se ele publica um geofeed no formato da RFC 8805 e informe a cidade correta.
  5. 5

    Espere a próxima atualização

    Mesmo depois de aceita, a correção só aparece quando a base é atualizada e quando o site baixa a nova versão. Bases mensais, como a DB-IP Lite, podem demorar mais.

A própria MaxMind avisa que correções para IPs realocados com frequência e para endereços anycast costumam ser recusadas. Isso afeta faixas de CGNAT e de redes móveis, em que o mesmo bloco atende pessoas em lugares diferentes.

Geolocalização por IP x GPS e Wi-Fi

A localização por IP é passiva: todo site recebe o seu IP e pode estimar a região sem pedir nada. Já a localização precisa, obtida por GPS, redes Wi-Fi próximas e torres de celular, só é entregue a um site depois da sua autorização, pelo pedido de permissão do navegador previsto na especificação de Geolocalização do W3C. Por isso, quando um site acerta a sua rua, quase sempre você deu essa permissão a ele em algum momento. Você pode revogá-la nas configurações de site do navegador e, no celular, nas permissões de localização de cada aplicativo.

Para que a geolocalização por IP é usada

  • Personalização: idioma, moeda, opções de frete e conteúdo local sem você precisar preencher nada.
  • Licenciamento de conteúdo: serviços de streaming ajustam o catálogo por país, conforme os contratos. Usar VPN para contornar essas restrições costuma violar os termos de uso dos serviços.
  • Prevenção de fraudes: bancos e lojas comparam a região do acesso com o seu histórico e podem pedir uma verificação extra quando algo foge do padrão.
  • Segurança: alertas de login em lugar incomum e bloqueio de tráfego suspeito por administradores de rede.
  • Publicidade e estatísticas: anúncios por região e relatórios de audiência por cidade.

Privacidade e lei: o que diz a legislação

A LGPD (Lei 13.709/2018) considera dado pessoal a “informação relacionada a pessoa natural identificada ou identificável”. Um IP entra nessa definição quando pode ser ligado a alguém, por exemplo pelo login em um site ou pelos registros do provedor. Na Europa, o Tribunal de Justiça da União Europeia decidiu em 2016, no caso Breyer, que até IPs dinâmicos podem ser dados pessoais nessas condições.

Isso não significa que todo uso exija consentimento. A LGPD prevê dez bases legais no art. 7º, entre elas o consentimento, o cumprimento de obrigação legal e o legítimo interesse, e exige transparência sobre o que é coletado e por quê. No Brasil, o Marco Civil da Internet ainda obriga os sites e aplicativos mantidos por empresas, com fins econômicos, a guardar os registros de acesso, com data, hora e IP, por 6 meses (art. 15), e os provedores de conexão a guardar os registros de conexão por 1 ano (art. 13).

Para saber quem usava um IP em determinado momento, é preciso uma ordem judicial, que pode ser dada em processo cível ou penal, determinando que o provedor entregue os registros (arts. 10 e 22). Sob CGNAT, a identificação depende também da porta de origem e do horário exato. Entenda seus direitos em LGPD e seus dados e veja os riscos reais em o que alguém pode fazer com seu IP.

Como reduzir a exposição da sua localização

  • VPN: os sites passam a estimar a localização do servidor da VPN. Escolha um serviço confiável, porque ele passa a ver o seu tráfego; veja o que é VPN.
  • Retransmissão Privada do iCloud: para assinantes do iCloud+, esconde o IP no Safari e mantém apenas uma localização aproximada.
  • Tor: passa a conexão por vários servidores voluntários e mostra a localização do último deles.
  • Permissões de localização: negar o acesso ao GPS não muda a estimativa pelo IP, mas impede que sites e apps obtenham a sua posição exata.
  • Vazamentos: mesmo com VPN, o navegador pode expor o IP real pelo WebRTC. Confira com o teste de WebRTC.

Mais opções estão em como proteger seu IP e em navegação anônima.

Ferramentas usadas neste guia

Perguntas frequentes

Alguém consegue descobrir meu endereço pelo IP?
Não. A geolocalização por IP indica o país, a região e, às vezes, a cidade ou a área atendida pelo provedor, nunca a rua ou o número da casa. Só o provedor sabe qual cliente usava um IP em determinado horário, e ele só fornece esse registro com ordem judicial.
Por que meu IP aparece em outra cidade?
Porque a base de dados associa o seu IP ao ponto por onde o provedor leva o tráfego para a internet, que pode ficar em outra cidade ou até em outro estado. Isso é comum em redes móveis, em provedores com CGNAT, em VPNs e quando um bloco de IPs foi remanejado e a base ainda não foi atualizada.
Qual é a precisão da localização por IP?
No nível de país, os fornecedores declaram acertos próximos de 100% (a MaxMind informa 99,8%). Na cidade, o acerto cai: para o Brasil, a MaxMind declara que sua base paga localiza 84% dos IPs a até 50 km do local correto, e a base gratuita, 80%. Bairro e CEP não são confiáveis.
Como corrigir a localização do meu IP no Google?
O Google tem um formulário de ajuda para denunciar problemas de localização do IP, na Ajuda da Pesquisa. Antes, confira se a localização errada vem do IP: desative VPNs e proxies e veja o resultado na ferramenta Localizar IP. Se o erro aparecer em várias bases, peça também ao provedor que atualize o geofeed dele.
VPN muda a minha localização?
Muda a localização que os sites estimam pelo IP, porque eles passam a ver o IP do servidor da VPN. Ela não altera a localização obtida por GPS ou Wi-Fi quando você autoriza o site ou aplicativo a usá-la. Usar VPN para contornar restrições de licenciamento costuma violar os termos de uso dos serviços de streaming.

Fontes e referências

  1. MaxMind: GeoIP databases (precisão declarada)
  2. MaxMind: GeoIP City accuracy comparison (Brasil, raio de 50 km)
  3. MaxMind: Download and Update Databases (calendário de atualização)
  4. MaxMind: GeoIP Data Correction
  5. IPinfo: Incorrect IP Geolocation Data Update
  6. Ajuda da Pesquisa Google: Denunciar problemas de IP
  7. DB-IP: IP Geolocation Lite (licença CC BY 4.0)
  8. IP2Location LITE
  9. RFC 8805: A Format for Self-Published IP Geolocation Feeds
  10. RFC 9092: Finding and Using Geofeed Data
  11. Apple: Prepare your network or web server for iCloud Private Relay
  12. IANA: IPv4 Address Space Registry
  13. LACNIC: estatísticas de delegação de endereços (arquivo extended)
  14. W3C: Geolocation API
  15. Lei 13.709/2018 (LGPD)
  16. Lei 12.965/2014 (Marco Civil da Internet)
  17. Tribunal de Justiça da União Europeia: processo C-582/14 (Breyer)

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