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Modo bridge: o que é e como ativar no roteador da operadora

Entenda o modo bridge, como ele acaba com o NAT duplo, o que Vivo, Claro e TIM permitem, como configurar seu roteador (PPPoE ou DHCP) e como voltar atrás.

Equipe Qual Meu IP10 min de leitura
Modem a cabo com luzes acesas ao lado de um roteador e outros equipamentos de rede doméstica

Foto: Alan Levine, via Wikimedia Commons (CC BY 2.0, recortada)

O modo bridge (ou modo ponte) faz o aparelho da operadora deixar de ser roteador e funcionar só como modem: ele recebe o sinal da fibra ou do cabo e repassa a conexão direto para o seu roteador. A partir daí, é o seu equipamento que cuida da rede de casa: o NAT, a distribuição de IPs (DHCP), o Wi-Fi, o firewall e o redirecionamento de portas. A principal vantagem é acabar com o NAT duplo, que surge quando dois roteadores estão ligados em sequência.

Se você usa só o Wi-Fi da operadora e está satisfeito, não precisa mexer em nada. O bridge faz sentido quando você tem um roteador próprio ou um sistema mesh, precisa abrir portas para jogos, câmeras ou servidores, ou quer dividir a rede em segmentos. Antes de ativar, vale entender o que muda, o que Vivo, Claro e TIM permitem e como voltar atrás.

O que muda quando o modem vira ponte

Quem faz cada função no modo roteador e no modo bridge
Login na operadora (PPPoE ou DHCP)Modo roteador (padrão)Aparelho da operadoraModo bridgeSeu roteador
NAT e IP de internet (WAN)Modo roteador (padrão)Aparelho da operadoraModo bridgeSeu roteador
DHCP da rede localModo roteador (padrão)Aparelho da operadoraModo bridgeSeu roteador
Wi-FiModo roteador (padrão)Aparelho da operadoraModo bridgeSó o seu roteador (ou mesh)
Firewall e redirecionamento de portasModo roteador (padrão)Aparelho da operadoraModo bridgeSeu roteador
Painel do aparelho da operadoraModo roteador (padrão)No IP de fábrica, como 192.168.15.1Modo bridgeMuda de endereço e pode exigir cabo ou IP manual no computador, conforme o modelo

NAT duplo: o problema que o bridge resolve

NAT é a tradução que o roteador faz entre os IPs privados da sua casa e o IP que a operadora entrega. Quando você liga um roteador próprio na porta LAN do aparelho da operadora sem bridge, cada conexão passa por duas traduções seguidas: uma no seu roteador e outra no da operadora. Para navegar e assistir a vídeos isso quase não faz diferença, mas tudo o que depende de conexões vindas de fora sofre:

  • Redirecionamento de portas: a regra precisa existir nos dois aparelhos, senão a conexão para no primeiro. Veja como abrir portas no roteador.
  • UPnP: jogos e consoles abrem portas automaticamente só no roteador mais próximo; o da operadora continua fechado, e o console acusa NAT moderado ou estrito. Mais em NAT estrito: como resolver.
  • Câmeras, servidores e acesso remoto: ficam inalcançáveis pelo IP público, a menos que você crie regras nos dois roteadores. O guia de acesso remoto a câmeras e DVR trata desse caso.

Como saber se você tem NAT duplo

O teste mais confiável é abrir o painel do seu roteador e olhar o IP de internet (WAN) na página de status. Compare com o IP público mostrado no Meu IP:

Como interpretar o IP de WAN do seu roteador
Igual ao IP públicoO que significaNão há NAT duplo nem CGNATO bridge resolve?Não é necessário
Privado: 192.168.x.x, 10.x.x.x ou de 172.16.x.x a 172.31.x.xO que significaHá outro roteador antes do seu: NAT duploO bridge resolve?Sim
Entre 100.64.0.0 e 100.127.255.255O que significaA operadora usa CGNAT (IP compartilhado)O bridge resolve?Não: o compartilhamento acontece na rede da operadora

O tracert ajuda a confirmar, mas exige cuidado na leitura. Os saltos privados que aparecem depois do seu roteador podem ser equipamentos da própria rede da operadora, e não um segundo roteador em casa. O sinal claro de NAT duplo é o segundo salto ser o IP de fábrica do aparelho da operadora, como no exemplo:

Prompt de Comando (exemplo com NAT duplo)
C:\> tracert -d -h 3 8.8.8.8

Rastreando a rota para 8.8.8.8 com no máximo 3 saltos

  1    <1 ms    <1 ms    <1 ms  192.168.0.1
  2     1 ms     1 ms     1 ms  192.168.15.1
  3     4 ms     3 ms     4 ms  203.0.113.1

Aqui, o salto 1 é o roteador próprio e o salto 2 é o roteador da Vivo no endereço de fábrica: dois NATs dentro de casa. No Mac e no Linux, o equivalente é traceroute -n -m 3 8.8.8.8. Para descobrir qual é o endereço de cada aparelho, veja como descobrir o IP do roteador.

Bridge, modo access point ou DMZ: qual escolher

Nem todo mundo precisa do bridge. Dependendo do objetivo, uma alternativa mais simples resolve sem mexer no aparelho da operadora:

Alternativas ao modo bridge
Modo bridgeComo funcionaO aparelho da operadora vira só modem e o seu roteador faz todo o restoQuando usarVocê quer controle total, abrir portas e acabar com o NAT duplo
Modo access point no seu roteadorComo funcionaO seu roteador vira só um ponto de Wi-Fi; quem roteia continua sendo o aparelho da operadoraQuando usarVocê só quer um Wi-Fi melhor ou mais cobertura, sem NAT duplo e sem mexer na configuração da operadora
DMZ no aparelho da operadoraComo funcionaAs conexões de entrada sem regra específica são enviadas ao IP do seu roteadorQuando usarO bridge não está disponível, mas você precisa receber conexões; o NAT duplo continua, porém as portas passam

No modo access point, a porta WAN do seu roteador costuma passar a funcionar como uma porta LAN; é assim que o manual do Intelbras ACtion RG 1200 descreve o modo “Ponto de acesso”. O mesmo manual define a DMZ como a função que envia a um dispositivo escolhido todas as conexões vindas da internet que não tenham regra de redirecionamento específica.

Quem tem um sistema mesh passa pela mesma escolha. A unidade principal, ligada ao aparelho da operadora, pode trabalhar como roteador (e aí o ideal é o bridge, para não haver dois NATs) ou em modo ponte ou access point, deixando o roteamento com a operadora. O segundo jeito é mais simples, mas alguns recursos do mesh, como controle parental, priorização de tráfego e relatórios por aparelho, costumam exigir que ele seja o roteador da casa. Para escolher, veja também as dicas de como melhorar o sinal do Wi-Fi.

Há ainda um motivo de segurança para o bridge. Na Cartilha de Segurança para Internet, o CERT.br sugere, para quem quer segregar a rede de casa (trabalho remoto, automação residencial, filhos), considerar um roteador interno separado, com o aparelho do provedor configurado em modo bridge.

Vivo, Claro e TIM: como pedir ou ativar o modo bridge

Cada operadora trata o assunto de um jeito, e o procedimento muda conforme o modelo do aparelho, que aparece na etiqueta. Antes de começar, anote o nome e a senha do Wi-Fi atual e, se a operadora informar, os dados de login (PPPoE) da sua conexão.

Vivo Fibra

Não encontramos tutorial oficial da Vivo para ativar o bridge em planos residenciais. O guia do roteador HGU orienta acessar 192.168.15.1 por cabo e alerta que, dependendo das alterações, o acesso à internet pode parar de funcionar. O mesmo guia cita o erro 691, resolvido inserindo login e senha do provedor, sinal de que a conexão é autenticada. Por isso, peça a configuração ou as credenciais pelo app Vivo (Meu Plano › Suporte técnico) ou pelo 103 15 e anote o protocolo. Mais informações na página da Vivo Fibra.

Claro

A Claro publica tutoriais por modelo no portal Configurar Aparelhos. No modem a cabo Arris TG3442, basta entrar no painel, clicar em Ativar no campo Modo Bridge e confirmar; depois disso, o painel passa a responder em 192.168.100.1, acessível por cabo de rede. No Huawei HG8145V5, de fibra, a opção Modo Bridge fica na página principal do painel; a Claro pede para aguardar 1 minuto e, para voltar ao painel, configurar no computador um IP manual (192.168.0.10, máscara 255.255.0.0 e gateway 192.168.0.1). Em modelos como o Humax HGJ310, o manual mostra o campo Tipo de conexão WAN, com as opções Router e Bridge. Para voltar ao endereço padrão, a Claro indica o reset de fábrica. Detalhes por modelo na página da Claro.

TIM UltraFibra

A TIM documenta o bridge em alguns modelos mais antigos. No FiberHome AN5506, o caminho é Network › Broadband Settings › Internet Settings: escolha a interface 2_INTERNET_R_VID_100, troque Connection Type de Route para Bridge com VLAN ID 100 (residencial) ou 150 (empresas) e aplique. Nos Sagemcom F@st 5360 e 5655, o assistente do próprio modem tem a opção “Bridge (não recomendado)”. Em seguida, ligue a LAN 1 do modem à WAN do seu roteador e crie nele a conexão PPPoE com usuário e senha guest, como indicam os tutoriais. Para outros modelos, como os Sagemcom 5317 e 5350, a TIM orienta ligar no 10341 e pedir o “cascateamento de rede”. Veja a página da TIM UltraFibra.

Nio e outras operadoras

Quando não há tutorial publicado, como no caso da Nio, peça o bridge ao suporte técnico e faça três perguntas: se a conexão usa PPPoE (e quais são o usuário e a senha), se é preciso configurar alguma VLAN no seu roteador e se a TV ou o telefone fixo dependem do aparelho da operadora.

Como configurar o seu roteador depois do bridge

  1. 1

    Ligue o cabo certo

    Conecte uma porta LAN do aparelho da operadora (a LAN 1, nos tutoriais da TIM) à porta WAN ou Internet do seu roteador. Deixe o computador ligado por cabo ao seu roteador durante a configuração.
  2. 2

    Escolha o tipo de conexão da WAN

    Use PPPoE quando a operadora informar usuário e senha, ou IP dinâmico (DHCP) quando ela entregar o endereço automaticamente. No Intelbras ACtion RG 1200, por exemplo, os campos do PPPoE se chamam Usuário do provedor e Senha do provedor.
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    Configure a VLAN, se for exigida

    Algumas instalações precisam que o roteador marque o tráfego com um número de VLAN. Só preencha esse campo se a operadora pedir; um valor errado deixa a conexão sem internet.
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    Ative o IPv6

    Na configuração IPv6 da WAN, escolha o mesmo tipo de conexão (PPPoEv6 ou DHCPv6) e ative a opção de Prefix Delegation, que distribui IPv6 para a rede de casa. Depois, confira no teste de IPv6.
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    Reaproveite o nome e a senha do Wi-Fi

    Se você usar no seu roteador o mesmo nome e a mesma senha do Wi-Fi antigo, os aparelhos da casa se reconectam sozinhos.
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    Confira o resultado

    O IP de WAN do seu roteador deve ser igual ao do Meu IP (ou estar na faixa 100.64.0.0/10, se houver CGNAT). Se você criou regras de portas, teste de fora com o verificador de portas.

Riscos do modo bridge e como voltar ao modo roteador

  • Ficar sem internet até o seu roteador autenticar. Com usuário, senha ou VLAN errados, nada navega. Faça a troca num horário tranquilo e com o celular no 4G ou 5G para consultar o suporte se precisar.
  • O Wi-Fi do aparelho da operadora deixa de dar internet. Em bridge, a rede passa a depender só do seu roteador.
  • TV e telefone fixo. Serviços entregues pelo aparelho da operadora podem parar ou exigir configuração própria. Pergunte antes de ativar.
  • Atendimento técnico. Em um chamado, pode ser preciso voltar ao modo padrão para o suporte diagnosticar a linha.

Para voltar, desfaça a opção no próprio painel (no exemplo da TIM, Connection Type de volta para Route) ou faça o reset de fábrica. No Huawei HG8145V5, a Claro orienta segurar o botão reset por 30 segundos, até todas as luzes se apagarem. O reset devolve o endereço e as senhas da etiqueta, mas apaga o Wi-Fi personalizado; se o aparelho de fibra não voltar a navegar, peça ao suporte para reconfigurá-lo e anote o protocolo.

Ferramentas usadas neste guia

Perguntas frequentes

O modo bridge deixa a internet mais rápida?
Não diretamente: a velocidade continua limitada pelo plano contratado. O que melhora é a rede de casa quando o seu roteador é melhor que o da operadora, e somem os problemas causados pelo NAT duplo, como portas que não abrem e NAT estrito nos consoles.
O modo bridge resolve o CGNAT?
Não. O CGNAT acontece dentro da rede da operadora, depois do seu modem. Com bridge, o seu roteador passa a receber o mesmo IP compartilhado, na faixa 100.64.0.0/10. Para sair do CGNAT é preciso pedir IP público ou fixo à operadora, usar IPv6 ou recorrer a serviços que funcionam sem portas abertas.
Qual a diferença entre modo bridge e modo access point?
No modo bridge, o aparelho da operadora vira só modem e o seu roteador faz NAT, DHCP, Wi-Fi e firewall. No modo access point, é o contrário: o seu roteador vira só um ponto de Wi-Fi e quem continua roteando é o aparelho da operadora. Os dois evitam o NAT duplo.
Preciso do usuário e da senha PPPoE da operadora?
Depende da operadora. Quando a conexão é autenticada por PPPoE, o seu roteador precisa desses dados para navegar; os tutoriais da TIM, por exemplo, indicam usuário e senha guest. Em conexões que entregam IP por DHCP, basta configurar a WAN como IP dinâmico. Na dúvida, pergunte ao suporte antes de ativar o bridge.
Dá para usar o Wi-Fi da operadora junto com o meu roteador em bridge?
Em geral, não: com o aparelho em bridge, o Wi-Fi dele deixa de entregar internet e a rede passa a depender do seu roteador. Para ampliar a cobertura, use um sistema mesh ou pontos de acesso ligados ao seu roteador.

Fontes e referências

  1. Claro Configurar Aparelhos: modo bridge no Arris TG3442
  2. Claro Configurar Aparelhos: modo bridge no Huawei HG8145V5
  3. Claro Configurar Aparelhos: luzes e botões do Huawei HG8145V5 (reset de 30 segundos)
  4. Claro: manual do modem Humax HGJ310 (tipo de conexão WAN Router ou Bridge)
  5. TIM: suporte e dicas TIM Fibra (modo bridge por modelo e cascateamento)
  6. Vivo Fibra: guia de informações do equipamento HGU
  7. Vivo Explica: luz vermelha no roteador (suporte técnico pelo app Vivo)
  8. Intelbras: manual do roteador ACtion RG 1200 (PPPoE, IPv6, DMZ e modo ponto de acesso)
  9. CERT.br: Cartilha de Segurança para Internet, fascículo Redes (2024)
  10. IETF RFC 1918: Address Allocation for Private Internets
  11. IETF RFC 6598: faixa 100.64.0.0/10 reservada para CGNAT
  12. IETF RFC 2516: PPP over Ethernet (PPPoE)
  13. FTC (EUA): How to Secure Your Home Wi-Fi Network

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